Volta Redonda: Espaço das Artes Zélia Arbex recebe a exposição ‘O que o barro pensa’

Com abertura nesta sexta-feira (6), mostra reúne obras de três ceramistas da região e poderá ser visitada até abril

A arte da cerâmica vai ocupar o Espaço das Artes Zélia Arbex, na Vila Santa Cecília, em Volta Redonda, a partir desta sexta-feira (6), com a abertura da exposição ‘O que o barro pensa’, que reúne trabalhos realizados entre 2025 e o início deste ano, de três artistas da região: Thayná de Castro, Cristiane Vieira e Gisele Ferreira. O evento terá início às 18h30, e a mostra seguirá aberta para o público de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, entre 9 de março e 10 de abril, com entrada gratuita. A atração tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura (SMC).

Pensando na questão da acessibilidade, a abertura terá a presença de intérprete de Libras (Língua Brasileira de Sinais) das 19h às 20h; nos dias de visitação, o público terá o recurso de audiodescrição, feito pelas próprias artistas.

O trio de ceramistas explica que a exposição propõe uma reflexão sobre a cerâmica contemporânea pelo olhar das artistas, que realizaram uma profunda pesquisa a respeito do tema. A mostra parte da simbologia da cabeça como lugar do pensamento, da memória e da experiência – e a partir desse eixo conceitual, marcado por abordagens singulares, as três artistas exploram o barro em seus diferentes estados, da terra crua à argila e da argila à cerâmica.

A proposta, por fim, é oferecer ao público uma reflexão sobre o barro como elemento estruturante da cultura e meio de expressão que atravessa gerações, em que as obras apresentadas tensionam a dimensão histórica da cerâmica e seu uso utilitário, deslocando-a para o campo da arte contemporânea como linguagem poética e reflexiva.

Três formas de criar

Duas das participantes são de Volta Redonda. Uma delas é a artista visual e pesquisadora Cristiane Vieira, que investiga a estética afro-brasileira em diálogo com símbolos das religiões de matriz africana, articulando materialidade ao enfrentamento poético das obras e reflexão social.

“Meu processo começa na escuta da matéria. Eu modelo sem molde, deixando que o gesto conduza a forma. Trabalho com volumes simples e investigo textura, peso e equilíbrio como elementos centrais da composição”, explica. “Eu trabalho com o que é ancestral: o ventre, o fruto, a cabeça como abrigo. Modelar é um ato de memória. Cada peça carrega tensão e delicadeza, força e fragilidade, assim como nós. No fim, eu só organizo a terra; quem conta a história é o barro.”

O outro nome da cidade é Thayná de Castro, artista visual e produtora cultural. De acordo com ela, sua criação é feita a partir das relações entre corpo, natureza e território. Na exposição, a artista apresenta trabalhos que investigam a cabeça como símbolo de identidade e memória.

“As experiências que eu vivo corporalmente nas texturas, nos formatos e na maneira de construir as peças aparecem de forma muito clara no meu trabalho. Nessa exposição, trago o universo figurativo da cabeça, vasos orgânicos e formas mais abstratas, coisas que partem de estudos de autorretrato e de memórias. É tudo visual, mas também é bem emocional. São registros de como eu me senti em determinados momentos e como o barro conduziu minhas emoções.”

Radicada em Resende, Gisele Ferreira desenvolve sua pesquisa com argilas locais e modos tradicionais de fazer cerâmica, compreendendo o barro como memória de território e relação entre corpo e natureza.

“Para esta exposição, apresento peças feitas à mão e queimadas em baixa temperatura, em diálogo com potes cerâmicos que guardam há milhares de anos substâncias essenciais à sobrevivência humana. Ao assumir as formas dos elementos terra, água, fogo, ar e cosmos, essas peças deslocam sua função utilitária e se afirmam como depositários de vida.”

O secretário de Cultura de Volta Redonda, Anderson de Souza, destacou que a exposição reafirma o papel do Espaço das Artes Zélia Arbex como equipamento cultural voltado para a difusão das artes visuais e o fortalecimento da produção artística regional.

“A iniciativa contribui para a formação de público, a valorização de artistas mulheres e o incentivo à pesquisa em cerâmica no contexto contemporâneo”, ressalta o secretário.

Mais próximo do público

Além da exposição, as artistas realizarão duas outras atividades. Uma delas é uma oficina direcionada para as mulheres atendidas pelo Cras (Centro de Referência de Assistência Social) do bairro Caieiras, dando continuidade a um trabalho já realizado na comunidade.

Também estão programadas duas visitas mediadas com alunos de duas escolas, que irão se desdobrar em uma vivência com argila reduzida para que tenham contato com o material, guiando os jovens para processos sensoriais.

Foto: Arquivo/Geraldo Gonçalves.
Secom/PMVR

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