Eric Max leva a força da Amazônia ao mundo como finalista do InterContinental Music Awards 2026

Crédito: reprodução

O cantor, ator e multiartista indígena Baré Eric Max alcançou um novo marco em sua trajetória artística ao ser anunciado como finalista do InterContinental Music Awards (ICMA) 2026, uma das premiações internacionais dedicadas à valorização da diversidade musical no mundo.

O artista concorre na categoria World Music com a canção “Rio Negro”, obra que sintetiza sua pesquisa sobre identidade amazônica, ancestralidade e sonoridades contemporâneas. Os vencedores serão anunciados no dia 23 de agosto, durante uma cerimônia online promovida pela premiação.

A indicação coloca Eric Max entre artistas reconhecidos pelo júri do ICMA por trabalhos que representam diferentes culturas e expressões musicais ao redor do planeta. A presença entre os finalistas amplia a visibilidade de uma nova linguagem artística criada pelo próprio artista: o Ixé Pop Amazônico.

O movimento propõe uma fusão entre elementos da cultura amazônica, referências indígenas, música pop contemporânea e o imaginário da floresta, criando uma sonoridade autoral que conecta tradição e inovação. Para Eric Max, o reconhecimento internacional reforça a potência da produção cultural amazônica e demonstra a capacidade da região de dialogar com públicos diversos. Em nota para a imprensa, o artista afirmou:

Essa chancela internacional mostra que a Amazônia produz uma música capaz de dialogar com qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo. Foi justamente por isso que criei o Ixé Pop: uma música amazônica, mas global.”

Para Eric Max, se tornar finalista em uma categoria dedicada à música do mundo representa a confirmação de que sua pesquisa artística ultrapassa fronteiras culturais e linguísticas:

A conquista começou no momento em que fomos anunciados entre os finalistas. Isso demonstra que uma música nascida na Amazônia pode emocionar pessoas em diferentes países sem abrir mão da sua identidade.”

Eric Max, finalista do InterContinental Music Awards, é símbolo da cultura amazônica

Lançada em 2025, “Rio Negro” virou uma das principais obras do primeiro ciclo do Ixé Pop Amazônico. A faixa apresenta uma Amazônia atual, urbana, ancestral e afetiva, se afastando de visões estereotipadas sobre a região e construindo uma narrativa em que mitologia, natureza, desejo e identidade coexistem dentro de uma estética Pop.

A canção integra um processo criativo iniciado com os lançamentos de “Mucura” e “Encanta Não”, músicas que apresentaram ao público as bases conceituais e sonoras do Ixé Pop Amazônico. Com o repertório, Eric Max vem construindo uma ponte entre suas raízes indígenas e uma linguagem musical conectada às transformações da cultura pop global.

O artista prepara o lançamento de “Tatá Uassú”, novo single que inaugura uma nova fase do projeto e amplia sua investigação sobre sonoridades indígenas. A partir deste mês, Eric inicia uma agenda de apresentações em diferentes regiões do país, com shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas, além de participação na programação da Parada do Orgulho LGBTQIA+, em outubro, levando o Ixé Pop Amazônico a novos públicos.

Com a presença entre os finalistas do InterContinental Music Awards 2026, Eric Max reafirma sua missão de estender sua presença na cultura amazônica no cenário internacional sem abrir mão de suas origens.

Meu objetivo é apresentar ao público global uma Amazônia viva, sofisticada, contemporânea e profundamente conectada às transformações da música pop mundial.”

Confira a entrevista exclusiva de Eric Max para o TMDQA! logo abaixo!

TMDQA! Entrevista Eric Max

TMDQA: Como sua inclusão no InterContinental Music Awards 2026 vem impactando sua trajetória artística?

Eric Max: Rapaz… quando eu recebi essa notícia eu fiquei muito feliz mesmo. Porque a gente que vem da Amazônia, que é artista indígena, sabe que o caminho é mais longo, né? Nada vem fácil. Então, ver meu trabalho chegando numa premiação internacional me dá aquela sensação de que eu tô indo pelo caminho certo.

Mas sabe o que acho mais bonito nisso tudo? Não é nem só o Eric Max estar ali. É pensar que junto comigo tá indo a Amazônia, tá indo o povo Baré, minha avó Curandeira Mãe Rosa, meus ancestrais, tá indo a nossa cultura. Eu sinto que eu tô carregando um pedacinho da nossa floresta pra esses lugares onde, muitas vezes, nunca ouviram falar da gente além das notícias sobre queimadas. Então é uma responsabilidade muito bonita também.

TMDQA!: O que é o Ixé Pop Amazônico e quais elementos culturais e musicais são combinados nessa proposta criada por você?

Eric Max: O Ixé Pop Amazônico nasceu de uma inquietação minha. Eu pensava: “Por que a gente sempre tem que escolher entre fazer uma música pop ou fazer uma música indígena?” Eu nunca enxerguei essa separação.

Então, eu resolvi criar uma linguagem onde essas duas coisas caminham juntas. Tem pop, tem eletrônico, tem uma pegada bem contemporânea, mas também tem as nossas histórias, a nossa espiritualidade, as línguas indígenas, os grafismos, a moda, a floresta… Tudo isso faz parte da obra.

Eu gosto de dizer que eu não estou colocando um cocar em cima do pop. Eu estou fazendo Pop a partir da minha vivência amazônica. É diferente. É um pop que nasce daqui, do nosso território. O Ixé Pop Amazônico é minha maneira de unir o ancestral com o contemporâneo, o moderno com o encantado! É como se a floresta dissesse: “Essa é a forma como canto para o mundo escutar”.

TMDQA!: Qual é a importância da canção “Rio Negro” dentro da sua trajetória e da representação da Amazônia no cenário global?

Eric Max: “Rio Negro” mora num lugar muito especial dentro de mim. Acho que ela é a música que melhor traduz quem eu sou hoje como artista. Eu nasci às margens do Rio Negro. Então, eu não tô cantando sobre um lugar que eu visitei. Eu estou cantando sobre a minha casa, sob o meu Tapyri, sobre a minha infância, sobre as histórias que eu ouvi crescendo. Tem muito afeto ali.

E eu acho bonito porque ela também quebra um pouco aquela imagem de que a Amazônia só aparece quando o assunto é tragédia ou desmatamento. A Amazônia também produz arte, produz música pop, produz cinema, produz moda, produz inovação. A gente também está criando futuro, e não é qualquer futuro, é um futuro vivo, de floresta viva, de gente que pensa como floresta, não como exploração capitalista.

Na minha musicalidade o protagonismo é sempre a Mãe Gaya, por isso Rio Negro é tão profundo, ele é um sentimento de pertencimento em forma de música, é a profundidade do mistério do Rio em forma de uma música que compus quando ainda era curumim, e finalmente pode nascer ao mundo.

Se alguém lá do outro lado do mundo ouvir “Rio Negro” e ficar com vontade de conhecer a nossa cultura, eu já vou sentir que a música cumpriu uma missão muito maior do que só tocar numa playlist.

TMDQA!: Você também está inserido no cinema e na literatura. Como você enxerga seu trabalho nas outras áreas artísticas?

Eric Max: Para mim, é tudo a mesma aldeia numa Floresta Digital, sabe? (risos) Eu nunca consegui separar essas linguagens. Quando eu tô compondo uma música, eu já tô imaginando as cenas do clipe. Quando eu escrevo um roteiro, eu já começo a ouvir a trilha sonora na cabeça. Quando eu escrevo um livro, eu penso muito nas imagens, nos silêncios, nas emoções. Então, não me vejo só como cantor, nem só como ator ou cineasta. Eu gosto de contar histórias. Acho que esse é o fio que costura tudo.

No fim das contas, eu só encontrei jeitos diferentes de contar as histórias da Amazônia. Às vezes é cantando, às vezes é filmando, às vezes é escrevendo. Mas a intenção é sempre a mesma: mostrar que a nossa cultura tá viva, é contemporânea e tem muito pra conversar com o mundo.

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Gabriel von Borell

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