Sociedade civil critica agenda da COP17
Foto: ASA / Divulgação
Segundo as entidades, temas relacionados a gênero e participação social ficaram de fora do cronograma de negociações
Internacional – Organizações da sociedade civil criticaram a agenda oficial aprovada no início da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia. Segundo as entidades, temas relacionados a gênero e participação social ficaram de fora do cronograma de negociações.
A retirada dos assuntos ocorreu após oposição dos Estados Unidos. Brasil e União Europeia defenderam a permanência dos temas, mas a aprovação da agenda dependeu do consenso entre as 197 partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).
O Civil Society Organization (CSO) Panel, que reúne cerca de 1,2 mil organizações de diferentes países, manifestou preocupação com a decisão. Para as entidades, a exclusão pode fazer com que as negociações priorizem aspectos técnicos e econômicos, deixando em segundo plano os impactos sociais provocados pela desertificação e pela seca.
As organizações defendem maior participação de comunidades locais, povos indígenas, agricultores, pastores, mulheres, jovens, pesquisadores e demais representantes da sociedade civil nas decisões relacionadas ao combate à degradação do solo.
Segundo o CSO Panel, esses grupos acumulam conhecimentos e experiências diretamente relacionados aos territórios afetados pela desertificação, pela degradação das terras e pela escassez de água.
Integração entre clima, biodiversidade e solo
Outro ponto de preocupação é a ausência, na agenda aprovada, de mecanismos para ampliar a integração entre as três principais convenções ambientais das Nações Unidas: a Convenção de Combate à Desertificação (UNCCD), a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) e a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
As três convenções foram estabelecidas a partir da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, a Rio-92.
Durante a COP30, realizada em 2025, representantes das três convenções lançaram a Declaração Conjunta de Belém sobre as Convenções do Rio. O documento reconheceu a relação entre as crises climática, de biodiversidade e de degradação dos solos e defendeu uma atuação mais integrada.
Para organizações e especialistas, a articulação entre essas agendas é importante para ampliar a efetividade das políticas de desenvolvimento sustentável e de proteção ambiental.
A COP17 reúne representantes de governos, organizações internacionais, pesquisadores e sociedade civil para discutir medidas de combate à desertificação, degradação das terras e secas.
A Agência Brasil acompanha a conferência diretamente da Mongólia. Com informações da Agência Brasil.
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Carol Berg

LR



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