11 de Setembro: 25 anos depois, uma tragédia que ainda não terminou
Foto: Library of Congress
Nova York – Às 8h46 daquela terça-feira, 11 de setembro de 2001, um avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center, em Nova York. O que inicialmente parecia um acidente aéreo rapidamente se transformou em um dos acontecimentos mais dramáticos da história contemporânea.
Dezenove integrantes da rede extremista Al-Qaeda haviam sequestrado quatro aviões comerciais. Dois foram lançados contra as Torres Gêmeas, outro atingiu o Pentágono, nos arredores de Washington, e o quarto, o voo 93 da United Airlines, caiu em uma área rural da Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes reagiram contra os sequestradores.
Ao todo, 2.977 pessoas morreram nos ataques. Foram 2.753 em Nova York, 184 no Pentágono e 40 entre passageiros e tripulantes do voo 93. As vítimas tinham origem em dezenas de países.
A Torre Sul desabou às 9h59. A Torre Norte, atingida primeiro, caiu às 10h28.
Em poucas horas, Manhattan havia sido transformada em uma enorme área de emergência. Bombeiros, policiais, paramédicos e voluntários entraram na região enquanto milhares de pessoas tentavam escapar.
Entre os que correram em direção às torres estavam os bombeiros do FDNY (Fire Department of the City of New York), o Departamento de Bombeiros da Cidade de Nova York. Ao todo, 343 integrantes do FDNY morreram naquele dia. Também morreram 23 policiais do NYPD e outros profissionais de emergência.
Foto: FDNY
O socorro que continuou por meses
A tragédia não terminou quando as torres desabaram.
Durante meses, bombeiros, policiais, médicos, trabalhadores de emergência, voluntários e moradores participaram das buscas e da retirada dos escombros.
Muitos daqueles profissionais, entretanto, passaram a enfrentar problemas de saúde anos depois. A poeira e a fumaça do local continham uma mistura de substâncias tóxicas, incluindo amianto, metais pesados, fibras e outros agentes químicos.
O World Trade Center Health Program, criado para acompanhar sobreviventes e socorristas, atende atualmente cerca de 145 mil pessoas. Mais de 57 mil integrantes do programa já foram diagnosticados com algum tipo de câncer relacionado à exposição ao 11 de Setembro.
A própria FDNY continua acrescentando nomes ao memorial de profissionais que morreram posteriormente por doenças relacionadas ao trabalho de resgate e recuperação. Em setembro deste ano, foram acrescentados mais 36 nomes.
Brasileiros que conseguiram escapar
Entre as histórias de sobrevivência está a do empresário brasileiro Larry de Faria Júnior. Ele trabalhava no 25º andar da Torre Norte quando sentiu o impacto do avião.
Sem saber exatamente o que estava acontecendo, decidiu deixar o prédio pelas escadas. Desceu 25 andares até conseguir sair.
Outro brasileiro que estava no complexo era Tácito Cury, que trabalhava em uma escola na Torre Sul. Depois de escapar, encontrou uma Nova York tomada por fumaça, sirenes e pessoas tentando entender o que havia acontecido.
Há também o relato de Adriana, paranaense que estava hospedada no Marriott World Trade Center. Ela conseguiu fugir do hotel, mas sofreu ferimentos durante a fuga e carregou por anos as consequências físicas e psicológicas daquele dia.
São histórias que ajudam a mostrar que, por trás dos números, existem milhares de experiências individuais de medo, perda e sobrevivência.
Foto: Library of Congress
A caça a Osama bin Laden
Enquanto as equipes trabalhavam entre os escombros, começava uma das maiores caçadas da história da inteligência americana.
Osama bin Laden, líder da Al-Qaeda, tornou-se o principal alvo dos Estados Unidos. A perseguição durou quase dez anos.
A CIA conseguiu reconstruir parte da rede de contatos do terrorista e chegou até um de seus principais mensageiros. As informações levaram os investigadores a um complexo em Abbottabad, no Paquistão.
Na madrugada de 2 de maio de 2011, uma equipe de forças especiais americanas invadiu o local e matou Bin Laden.
A morte do líder da Al-Qaeda, entretanto, não encerrou a organização. A rede perdeu força, mas continuou existindo por meio de grupos afiliados em diferentes regiões do mundo.
E os outros responsáveis?
Khalid Sheikh Mohammed, apontado como um dos principais planejadores dos atentados, foi capturado em 2003 e permanece preso em Guantánamo.
O processo contra ele e outros acusados se arrasta há mais de duas décadas. Em 2026, um juiz militar marcou para junho de 2028 o julgamento de Mohammed e outros três acusados.
A demora está relacionada, entre outros fatores, às controvérsias sobre os métodos de interrogatório utilizados pela CIA, incluindo tortura.
Foto: Memorial WTC
Ground Zero virou lugar de memória
No espaço onde estavam as Torres Gêmeas foi construído o Memorial do 11 de Setembro.
Duas enormes piscinas ocupam as áreas das antigas torres. Ao redor estão gravados os nomes das vítimas.
No local também funciona o 9/11 Memorial & Museum, que reúne objetos, fotografias, gravações e histórias de vítimas, sobreviventes e socorristas.
O novo World Trade Center também passou a fazer parte da paisagem de Manhattan. O One World Trade Center tornou-se o principal símbolo da reconstrução.
Mas, para milhares de famílias, aquele continua sendo um lugar de perda.
25 anos depois, ainda há vítimas sem identificação
Um dos capítulos mais dolorosos da história permanece aberto.
Dos 2.753 mortos no World Trade Center, 1.654 tiveram seus restos identificados até agosto deste ano. Isso significa que 1.099 vítimas ainda não foram oficialmente identificadas.
Em agosto, Nova York anunciou a identificação de uma mulher, cuja família pediu que seu nome não fosse divulgado. Foi a primeira identificação de uma vítima do 11 de Setembro utilizando genealogia genética forense investigativa, uma técnica que cruza informações genéticas com bancos de dados genealógicos.
Vinte e cinco anos depois, a ciência ainda procura devolver nomes às famílias.
O mundo depois do 11 de Setembro
Poucos acontecimentos produziram uma transformação tão profunda na política internacional.
Depois dos ataques, os Estados Unidos iniciaram a chamada “guerra ao terror”. Em outubro de 2001, tropas americanas invadiram o Afeganistão para combater a Al-Qaeda e derrubar o regime do Talibã, que abrigava Bin Laden.
A segurança dos aeroportos também mudou radicalmente. Controles mais rigorosos, novas regras de embarque e sistemas ampliados de inteligência e vigilância passaram a fazer parte da rotina.
O ataque também provocou debates sobre liberdades civis, imigração, relações internacionais e o tratamento dado às comunidades muçulmanas.
Foto: Memorial WTC
Uma geração que não viu as Torres
Há ainda uma mudança que só pode ser percebida 25 anos depois.
Cerca de 100 milhões de americanos vivos atualmente eram crianças pequenas ou ainda nem haviam nascido em 11 de setembro de 2001. Para essa geração, as imagens das Torres Gêmeas em chamas fazem parte da história, não da memória pessoal.
É justamente por isso que a preservação dos relatos de sobreviventes e socorristas ganhou importância.
A Biblioteca do Congresso disponibilizou neste ano uma coleção com centenas de entrevistas de pessoas que participaram das operações de resgate, recuperação e atendimento após os ataques.
11 de Setembro em números
- 19 — terroristas que sequestraram os quatro aviões
- 4 — aviões usados nos ataques
- 2.977 — pessoas mortas nos atentados
- 2.753 — mortos em Nova York
- 184 — mortos no Pentágono
- 40 — passageiros e tripulantes mortos no voo 93
- 343 — integrantes do FDNY mortos
- 23 — policiais do NYPD mortos
- 1.654 — vítimas do World Trade Center já identificadas
- 1.099 — vítimas de Nova York ainda sem identificação oficial
- Cerca de 145 mil — pessoas atualmente atendidas pelo programa de saúde do World Trade Center
- Mais de 57 mil — pessoas do programa diagnosticadas com câncer relacionado à exposição ao 11 de Setembro
- 25 — anos desde os atentados
Os números de identificação de vítimas são os mais recentes divulgados pelas autoridades de Nova York em agosto de 2026. Os dados de saúde são atualizados continuamente pelo programa federal administrado pelo CDC/NIOSH.
O legado
O 11 de Setembro foi o ataque terrorista mais letal da história dos Estados Unidos e um dos acontecimentos que mais alteraram a ordem internacional no século XXI.
Mas seu legado não está apenas nas guerras, nos aeroportos mais seguros ou nos sistemas de vigilância.
Está no bombeiro que subiu as escadas enquanto todos desciam.
No policial que entrou no prédio sem saber se sairia.
Nos passageiros do voo 93 que decidiram reagir.
No brasileiro que desceu 25 andares para escapar.
Na família que ainda espera a identificação de um ente querido.
No socorrista que sobreviveu ao ataque, mas adoeceu anos depois.
E em uma cidade que decidiu reconstruir o lugar onde duas torres foram destruídas.
Nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, Nova York volta a pronunciar os nomes das vítimas.
Vinte e cinco anos depois, as torres não estão mais lá.
Mas a história daquele dia continua presente.
E, para milhões de pessoas, o 11 de Setembro ainda não é apenas uma data no calendário. É o dia em que o mundo mudou.
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luciano junior
11 de Setembro: 25 anos depois, uma tragédia que ainda não terminou

LR
11 de Setembro: 25 anos depois, uma tragédia que ainda não terminou




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