Trompas marca retorno de Wally à música após mais de uma década longe dos palcos

Depois de mais de uma década afastado da música, Wally, fundador e ex-guitarrista do CPM 22, retoma a carreira com o Trompas, banda recém formada e que acaba de lançar seu EP de estreia, Anxiety.
Longe do hardcore melódico que marcou sua trajetória no CPM e mais próximo do heavy metal que explorou nos últimos anos à frente do Astafix, o músico aposta agora em uma sonoridade que combina sludge metal, stoner rock e grunge. Ao lado do baterista Thiago Caurio e do baixista Benhur Lima, Wally apresenta cinco faixas com riffs graves e letras sobre conflitos internos, frustrações e desgaste emocional.
Como parte da divulgação do EP, o trio acaba de lançar o videoclipe de “Trip”, dirigido por Xtudo Obze, videomaker que já trabalhou com nomes como Torture Squad, RF Force, Kiara Rocks, Sioux 66, ANTRVM e Caos Lúdico. A produção audiovisual é assinada por Paulo Rocha.
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Outras três faixas do EP também ganharam videoclipes: o grito seco de “Anxiety“, a digestão da raiva em “Ten Year Hate”, e “Lost Again”, que contou com coragem da banda e uma jiboia de 12 metros! Com quase 500 mil visualizações acumuladas nos vídeos, a banda segue ampliando seu alcance enquanto prepara material inédito e se organiza para cair na estrada em 2027.
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Um novo capítulo depois do CPM 22
A história de Wally com o CPM 22 começou antes da banda se tornar um dos grandes nomes do rock brasileiro. Como fundador e guitarrista, participou de cinco álbuns e acompanhou a trajetória do grupo, marcada por conquistas como o Grammy Latino e premiações no VMB, da MTV, e no Multishow.
Após se afastar da música por mais de dez anos, o músico retomou as atividades no heavy metal com o Astafix, banda responsável pelos álbuns End Ever (2009) e Internal Saboteur (2015). Agora, com o Trompas, volta a investir em composições autorais, explorando diferentes influências sem se prender a uma única vertente.
O trio também reúne músicos com trajetórias consolidadas no rock e no metal brasileiro. Wally reencontra o baterista Thiago Caurio, seu parceiro no Astafix, conhecido pela pegada potente e pela precisão rítmica. Completa a formação o baixista Benhur Lima, instrumentista que também integra o HIBRIA, grande nome do power metal brasileiro que comemora 30 anos e tem cumprido datas ao lado do Angra no Brasil e Japão com o disco On the Shortness of Life.
Além do Trompas, Caurio e Lima integram o Atomic Elephant, trio de metal instrumental. A conexão entre os integrantes reúne experiências distintas em torno do Trompas, um projeto que busca construir identidade própria dentro da música pesada.
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Entre o sludge, o stoner e o grunge
A sonoridade do Trompas combina riffs graves, andamentos arrastados e atmosferas sombrias, com referências que passam por Black Sabbath, Nirvana, Crowbar, Mastodon e Monolord. A proposta mistura influências do metal, do punk e da música alternativa, sem recorrer a uma lógica nostálgica. Wally explica:
Acho que misturamos todas as nossas influências, do metal, do punk e da música alternativa nessa nossa pegada sludge. Não penso muito como a música deve sair, apenas sigo a minha intuição quando estou compondo, sinto que a música vem da alma mesmo, e deixo ela me guiar”.
Em Anxiety, essa liberdade criativa se manifesta também nas letras, que abordam sentimentos como raiva, frustração e desgaste emocional. Para o músico, compor é uma maneira de extravasar experiências e transformar inquietações em música.
Sempre achei que compor também funciona como uma terapia. Isso ajuda a música a ficar mais forte, mais intensa”.
O processo nem sempre começa pela letra. Segundo Wally, muitas vezes a composição surge a partir de um riff, que dá origem a uma melodia e, espontaneamente, a algumas frases. A partir daí, o assunto se desenvolve de acordo com o caminho indicado pela própria música.
Sempre deixo a música me guiar, então tenho a liberdade de escrever a letra sobre qualquer assunto, o que vier na minha cabeça no momento”.
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Por que Trompas?
O nome Trompas faz referência à origem ancestral dos instrumentos de sopro, quando chifres de animais eram utilizados para comunicação. A escolha simboliza força, chamado e conexão com algo primitivo — conceitos que também estão presentes na sonoridade da banda: pesada, grave, robusta e primal.
“Não é um nome fácil de entender à primeira vista, mas pensei justamente no vigor dos chifres e em seu simbolismo forte, quase primitivo. É uma imagem que combina muito com o universo heavy”, explica Wally.
Novas composições e planos para 2027
O material inédito que o Trompas prepara deve ampliar os temas explorados no trabalho de estreia. Nas novas letras, Wally também aborda questões contemporâneas, como a guerra e a inteligência artificial, além de experiências pessoais.
A banda está na fase de divulgação de Anxiety, enquanto trabalha para ampliar sua audiência e prepara o próximo lançamento. O novo EP está praticamente pronto, e a expectativa é começar a levar o repertório aos palcos nos próximos meses.
O Trompas é muito novo ainda, mas daqui alguns meses devemos começar a fazer shows, e vamos lançar mais um EP em breve, está quase pronto”.
Com uma formação experiente e referências que atravessam diferentes vertentes do rock pesado, o Trompas representa um novo capítulo na trajetória do músico. Distante do hardcore melódico que o projetou nacionalmente, Wally encontra no projeto espaço para explorar outras possibilidades sonoras e transformar inquietações pessoais em composições autorais.
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Isis Correia
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LR
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