O dia em que o Slayer quase virou uma banda de Nu Metal

O Slayer sempre foi visto como uma das bandas mais fieis ao Thrash Metal, além de uma das mais icônicas.
Enquanto o Metallica experimentava com o Hard Rock, o Anthrax flertava com o Rap e o Megadeth buscava melodias mais acessíveis, o quarteto de Tom Araya, Jeff Hanneman, Kerry King e Dave Lombardo parecia firme em sua devoção ao peso, à velocidade e ao caos. Mas em 1998, em meio à explosão do Nu Metal, até a banda mais “pura” do Big 4 encarou uma guinada inesperada, e até hoje lembrada com estranhamento pelos próprios integrantes.
Esse momento atende pelo nome Diabolus in Musica, o oitavo álbum do Slayer. Lançado em um cenário dominado por Korn, Deftones e Limp Bizkit, o disco trouxe guitarras mais graves, grooves lentos, batidas quadradas e até padrões vocais marcados por cadências quase “rappadas”. Não demorou muito para fãs e críticos apontarem: “o Slayer virou Nu Metal?”. A resposta da banda, no entanto, sempre foi mais complexa e repleta de arrependimentos.
Slayer e o flerte com o Nu Metal
Jeff Hanneman assumiu grande parte da composição do álbum, dizendo que, sem algo no cenário da época que o inspirasse, decidiu “criar seu próprio caminho”. Já Kerry King, na época profundamente frustrado com o rumo do Metal mainstream, nunca escondeu sua insatisfação: anos depois, se referiria ao disco como “meu menos favorito da história da banda” e admitiria que o Slayer, por um instante, tentou encontrar uma forma de se encaixar nos sons contemporâneos.
A ironia? O resultado não agradou nem o grupo, nem a cena que dominava o metal nos anos 90.
Apesar disso, a banda inicialmente acreditava ter encontrado uma abordagem nova: mais groove, mais atmosfera, mais experimentação. Tom Araya chegou a compará-lo ao espírito mais sombrio e livre dos primeiros Show No Mercy (1983) e Hell Awaits (1985). Comercialmente, o álbum até foi bem – estreou no Top 40 dos EUA e do Reino Unido – mas o estranhamento veio rápido. Muitas resenhas notaram a repetição de tons e ritmos, e a resistência dos fãs cresceu ao longo dos anos seguintes.
Diabolus in Musica hoje
Mesmo assim, revisitar Diabolus in Musica hoje revela que o rótulo de Nu Metal talvez tenha sido exagerado. Faixas como “Stain of Mind” e “Love to Hate” realmente trazem um balanço mais moderno, mas riffs cortantes, solos caóticos e a agressividade típica do Slayer continuam intactos.
No fim das contas, o disco virou o grande ponto fora da curva na discografia do Slayer, um experimento que a banda rapidamente renunciou, mas que permanece como registro de um momento em que até os titãs do Thrash tentaram dialogar, mesmo que à força, com a tempestade sonora dos anos 90.
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Stephanie Hahne

LR



