As 10 melhores músicas do Rush segundo Neil Peart

O saudoso Neil Peart teve uma contribuição incontestável na história da música. Ao lado de Geddy Lee e Alex Lifeson, o baterista, que era considerado um dos melhores do mundo, lançou através do Rush alguns dos discos mais importantes do Rock.
Com uma carreira que atravessou mais de quatro décadas e 19 álbuns de estúdio, Peart, que também foi letrista do grupo, era o tipo de músico que guardava na memória diversos detalhes sobre diferentes fases da carreira de sua aclamada banda de rock progressivo.
Certa vez, Neil foi convidado pela CBC Music (via Far Out) para comentar sobre algumas das melhores músicas do Rush de acordo com uma seleção feita pela rádio, e suas reflexões sobre cada uma delas foram feitas com a mesma maestria que ele mostrava em seus solos de bateria.
Entre as músicas que foram analisadas por Neil Peart, que nos deixou aos 67 anos em 2020, estão clássicos que integram discos como Moving Pictures (1981), 2112 (1976) e Permanent Waves (1980).
Confira abaixo o que o influente baterista compartilhou sobre alguns dos maiores sucessos do Rush!
As 10 melhores músicas do Rush segundo Neil Peart
10 – “Xanadu”
“Vamos chamar essa de nossa fase experimental. Depois de ‘2112’, éramos guitarra, baixo e bateria, e ambiciosos, então pensamos que talvez devêssemos adicionar outro músico. Mas aí foi tipo, não, vamos expandir nosso próprio arsenal, então os caras começaram a tocar violão, os pedais de baixo estavam surgindo, e eu comecei a expandir minha bateria, o que nos daria uma grande capacidade de orquestração.
Os álbuns seguintes são a gente aprendendo a usar tudo isso, se divertindo, experimentando, o mais genuinamente possível. Quando olho para trás, me dá um sorriso indulgente. Mais tarde faríamos melhor, mas não havia nada de errado nisso. Eu descrevi isso uma vez como jovem, tolo e corajoso.”
9 – “Time Stands Still”
“Uma música que ainda gosto muito. Autobiográfica, de certa forma. Fala sobre querer desacelerar e absorver o momento. Sentir este momento com mais intensidade, já que não podemos ajustar o tempo para ter mais tempo. Fico frustrado quando as pessoas perguntam para onde foi o tempo.
Você simplesmente não estava prestando atenção. Um dia é um dia, um mês é um mês, um ano é um ano. Para mim, tudo começou em 1986. Lembro-me de ter sentado e escrito por que 1986 foi o melhor ano de todos. Então, se eu conseguia pensar assim em 86, agora sei ainda melhor como valorizar a passagem do tempo e a riqueza das experiências.”
8 – “YYZ”
“Estávamos voando para Toronto em um avião particular e ouvimos o sinal em código Morse, e isso se tornou o ritmo fundamental da música. Era uma trilha sonora sobre aeroportos, a parte agitada, a parte muito emocional, sabe, o reencontro e todos os lamentos. Foi algo consciente, tentar incorporar alguns dos climas dos aeroportos na música ‘YYZ’.”
7 – “Red Barchetta”
“Meu amigo [Richard Foster] publicou essa história na revista Road and Track, e ela se passava em um futuro distópico onde certos carros eram proibidos. Ele usou um MGB na história, mas eu usei o carro dos meus sonhos, esta Ferrari vermelha… Foi muito cinematográfico para nós, e estávamos aprendendo a ser concisos, mas também a criar trilhas sonoras. É provavelmente uma das nossas melhores nesse sentido, sendo um curta-metragem, e cada seção é um acompanhamento cinematográfico para a letra. Ainda é uma que eu gosto muito e é ótima para tocar ao vivo.”
6 – “Limelight”
“Uma tentativa de esclarecer para mim mesmo e, espero, para outros, algo que aprendi: nunca reclame, nunca explique. Tento não reclamar, mas não consigo evitar explicar. Essa foi uma tentativa da minha parte de me explicar como um introvertido, sentindo-me totalmente alienado pela ‘gaiola dourada’ de tudo isso, e tem sido notável, ao longo do tempo, quantos jovens músicos vieram até mim e me contaram o que essa música significa para eles quando enfrentaram a mesma transição em suas vidas.
É a lei da oferta e da procura: como um jovem músico, você é movido pela oferta e não há demanda, e então, assim que você conquista um pouco de popularidade, há demanda, mas a oferta é a mesma, ainda só existe você, e é uma transição muito difícil de superar… Você não pode reclamar, mas outros músicos me dizem: ‘Essa música, ‘Limelight’, eu entendo’.”
5 – “Subdivisions”
“É extremamente autobiográfica, claro. Foi um passo importante para nós, a primeira música escrita com base em teclado. O lado bom disso, que as pessoas não percebem, é que fez de mim e do Alex [Lifeson] a seção rítmica. Então, a primeira vez que nos conectamos com as partes um do outro foi quando o Geddy [Lee] estava tocando teclado.
Foi uma ótima maneira nova de nos relacionarmos. Também é um bom exemplo de como aprendemos a lidar com mudanças de compasso com mais fluidez e, novamente, é maravilhoso tocar ao vivo. É desafiador e sempre gratificante tocar bem.”
4 – “La Villa Strangiato (An Exercise in Self-Indulgence)”
“Este é o cérebro do Alex, e cada seção dessa música são sonhos diferentes que o Alex nos contava e nós ficávamos tipo, ‘para, para’. Eram esses sonhos bizarros sobre os quais ele insistia em contar cada detalhe, então virou uma piada entre o Geddy e eu.
‘La Villa Strangiato’ significa cidade estranha, e tinha tanta coisa acontecendo ali. Também tem uma parte com big band, que era perfeita para mim porque eu sempre quis tocar nesse estilo. E música de desenho animado. A gente se meteu em encrenca depois porque usamos música de um desenho animado dos anos 30.”
3 – “2112”
“Gravamos três álbuns em 18 meses desde que entrei na banda… Quando fizemos o ‘2112’, tínhamos apenas um mês para compor, ensaiar e gravar o álbum, então foi feito nas circunstâncias mais precárias, mas com muita convicção e entusiasmo. Estávamos muito revoltados naquela época. Os três primeiros álbuns tinham vendido praticamente o mesmo, e nossa gravadora estava nos descartando.
Chegamos a chamar aquela turnê de ‘Tornando-nos Subterrâneos’, tocando em boates horríveis e abrindo shows, então achávamos que tudo estava acabado e estávamos furiosos. As pessoas diziam: ‘Vocês precisam mudar o repertório e lançar um single’, e eu ouvia essas coisas, que para mim eram como veneno, então eu pensava: ‘Ah, é mesmo!’ E revidamos. A história é sobre o indivíduo contra a opressão, e era assim que nos sentíamos. E funcionou, foi nosso sucesso comercial com uma música de 20 minutos em um dos lados. Ela falou por si só.”
2 – “Tom Sawyer”
“Estávamos na fazenda do Ronnie Hawkins, que tínhamos alugado naquele verão para compor e fazer a pré-produção. Colaborei na letra com o Pye Dubois, do Max Webster, e ele me dava cadernos enormes do Big Chief, cheios de rabiscos poéticos. Sou bom em impor ordem, então pegava os dele e adicionava algumas imagens, estrutura, temas e tudo mais.
Essa música nos encontra num momento de tanta confiança que estávamos aprendendo a fazer uma música de apenas seis minutos em vez de 12 ou 15, usando os mesmos padrões de arranjo. A bateria é tão detalhada, mas quando chegamos à parte do meio, no compasso ímpar, foi improvisado. Me perdi, dei um jeito de sair e, de alguma forma, voltei ao compasso. E essa improvisação se tornou uma nova parte… É uma daquelas partes essenciais que eu adoro, e foi um erro do qual tive sorte de escapar.”
1 – “The Spirit of Radio”
“Estávamos trabalhando em uma fazenda no interior, no oeste de Ontário, e voltávamos para casa nos fins de semana. Lembro-me de chegar muito tarde e a rádio CFNY estava no ar. Eu estava no topo da escarpa, com todas as luzes de Hamilton e da Península do Niágara, onde eu morava na época, e ouvia uma combinação fantástica de músicas.
E o lema da CFNY na época era: ‘o espírito do rádio’. A música em si, musicalmente, alterna entre estações de rádio, com uma parte de reggae no final, o segundo verso é new wave, eu toco como um baterista punk ali, e tudo isso foi intencional.”
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Lara Teixeira

LR



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