Ceia de Natal exige atenção à escolha e conservação dos alimentos

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Foto: Divulgação

Estado do Rio – Com mesas fartas e pratos tradicionais, a ceia de Natal é um dos momentos mais aguardados do ano. No entanto, o aumento do consumo de alimentos perecíveis aliado às altas temperaturas do verão exige atenção redobrada para evitar problemas de saúde. Pensando nisso, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) divulgou orientações sobre a escolha, o preparo e o armazenamento dos alimentos típicos das festas de fim de ano.

As recomendações são da nutricionista Alessandra Torres, diretora da Divisão de Alimentos da Superintendência de Vigilância Sanitária (Suvisa/SES-RJ). Ela alerta para situações comuns nesta época, como produtos com preços muito abaixo do mercado ou com prazos de validade incompatíveis com sua durabilidade real, o que pode indicar baixa qualidade ou irregularidades.

Bacalhau exige cuidados desde a compra

Um dos itens mais tradicionais da ceia, o bacalhau deve ser escolhido com atenção. A orientação é dar preferência ao bacalhau seco, considerado mais seguro no verão. O produto deve estar firme, com coloração amarelo-claro, sem manchas escuras e com odor característico. Sempre que possível, é indicado optar pela peça inteira. No caso de postas, é importante verificar a data de fracionamento e a validade.

O bacalhau seco pode ser conservado por até três meses sob refrigeração. Já o bacalhau dessalgado requer cuidados extras: deve permanecer congelado e ser preparado em até três dias após o início do processo de dessalga, que deve ser feito sempre sob refrigeração, com troca da água duas ou três vezes ao dia.

Frutas secas e oleaginosas também merecem atenção

Apesar de terem menor teor de água, frutas secas e oleaginosas podem sofrer rancificação, especialmente em períodos de calor. Em nozes, castanhas e amêndoas, pontos esbranquiçados podem indicar o início desse processo, que altera o sabor e pode causar mal-estar. Em vendas a granel, é importante observar se o produto está crocante e com sabor agradável, além de conferir as datas de fracionamento e validade.

Mistura de alimentos pode reduzir a durabilidade

Pratos que combinam ingredientes com diferentes níveis de acidez, como o salpicão, tendem a ter menor tempo de conservação. A recomendação é redobrar os cuidados com a manipulação, higienizando bem as mãos e evitando falar durante o preparo. Sempre que possível, a maionese deve ser adicionada apenas na hora de servir.

Carnes e aves: atenção à refrigeração

Na compra de carnes e aves, a SES-RJ orienta que o consumidor dê preferência aos produtos congelados, observando se a cadeia de frio foi mantida. Excesso de líquido na embalagem, alteração de cor ou produtos parcialmente descongelados são sinais de alerta. Carnes bovinas devem apresentar coloração avermelhada, carnes suínas devem estar rosadas e o frango não pode ter aspecto amarelado.

Carnes e aves pré-temperadas devem ser evitadas, pois geralmente contêm excesso de sódio e aditivos. O tempero caseiro, feito com ingredientes frescos, é a opção mais indicada, especialmente para pessoas com restrições alimentares.

Doces, saladas e pastinhas exigem mais cuidado

Sobremesas à base de leite e ovos, como rabanada, pudim e quindim, são altamente perecíveis. Após o preparo, devem ser refrigeradas imediatamente e consumidas em até três dias, desde que bem armazenadas. Não é seguro deixá-las em temperatura ambiente antes da refrigeração.

Saladas com maionese devem ser mantidas refrigeradas e consumidas em até 24 horas. A orientação é evitar maionese caseira, optando sempre pela versão industrializada. Pastinhas e entradinhas, comuns na ceia, também devem permanecer refrigeradas até o momento de servir e não ficar muito tempo sobre a mesa, principalmente em dias quentes.

Azeites e produtos de padaria: desconfiança é fundamental

A Superintendência de Vigilância Sanitária monitora regularmente azeites irregulares no mercado. O consumidor deve desconfiar de preços muito baixos e priorizar azeites extravirgens, com baixa acidez e embalagens escuras, que ajudam a reduzir a oxidação.

Em padarias, a recomendação é observar atentamente os prazos de validade. Produtos como bolos e salgados que levam leite e ovos não devem apresentar validade extensa em temperatura ambiente, pois isso compromete a qualidade e a segurança alimentar.

Armazenamento correto evita riscos após a ceia

Em casa, um dos erros mais comuns é manter a geladeira excessivamente cheia, o que prejudica a circulação do ar e a refrigeração adequada. Alimentos devem ser armazenados bem embalados e separados, evitando contaminação cruzada. Carnes devem ficar afastadas de saladas e outros alimentos prontos para consumo.

Após a ceia, arroz, carnes e saladas devem ser refrigerados o quanto antes. Alimentos mais secos, como farofa e castanhas, apresentam menor risco, mas também exigem armazenamento adequado.

Agatha Amorim

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