Crítica: “Bring Me The Horizon: L.I.V.E. in São Paulo (Live Immersive Virtual Experiment)” é uma catarse de sentimentos

Capturar um momento no tempo é um desafio; fazê-lo pulsar novamente com a mesma voltagem orgânica de um estádio lotado é uma forma de arte. Em Bring Me The Horizon: L.I.V.E. in São Paulo (Live Immersive Virtual Experiment), a banda de Sheffield não entrega apenas um registro de show, mas uma expansão sensorial do que significa ser uma das maiores forças do rock moderno após anos de carreira.
O filme, codirigido por Oliver Sykes e CiRCUS HEaD, evita as armadilhas dos filmes-concerto genéricos. Para você que não esteve presente no dia, e para você que está diante de uma explosão de memórias: aqui, a narrativa se inicia com a estética nostálgica de um loading screen de PS1, evocando a era de Final Fantasy VII, para logo em seguida nos lançar em uma distopia pós-apocalíptica de alta definição. Somos apresentados a E.V.E, a inteligência artificial de origens alienígenas que governa a Church Of Genxsis, e de repente, o Allianz Parque não é mais apenas um estádio em São Paulo, mas o epicentro do experimento NeX GEn.
Continua após o post
Do Mosh Pit à Intimidade Digital
A produção é visualmente opulenta. O uso de múltiplas câmeras, drones que circundam a imensidão dos 50 mil presentes e, crucialmente, as filmagens enviadas por fãs, cria um efeito caótico e singelo. Há uma beleza crua em ver a transição de um plano cinematográfico de um anjo caído no telão para o vídeo tremido de um celular no meio de uma wall of death.
Momentos como a transformação de Sykes em um demônio via realidade aumentada durante “AmEN!” ou o ritual místico que antecede “n/A” elevam o espetáculo para algo próximo de uma ópera cyberpunk – mas o filme acerta em cheio ao não se perder apenas nos pixels. A humanidade transborda quando a câmera foca nos rostos suados, nas lágrimas que escorrem em “Drown” e nos pedidos de casamento durante “Follow You”. É um lembrete de que, por trás de toda a lore de vírus VSPR-37 e substâncias como o puss-e, existe uma conexão real que salva vidas.
Continua após o vídeo
“Brasileiro com CPF”
O longa faz questão de destacar a relação visceral da banda com o Brasil. Ver Oli alternando entre o sotaque de Yorkshire e o português para declarar seu amor ao país valida o sentimento do fã brasileiro de que este não foi “apenas mais um show da turnê”; foi o ápice de uma jornada de 20 anos que levou o grupo de pubs ao status de headliners a 10 mil quilômetros de casa.
A montagem que intercala o presente glorioso com imagens de arquivo – incluindo o encontro com o saudoso Chester Bennington (Linkin Park) – dá o peso histórico necessário. O filme entende que o público ali não está apenas assistindo a uma banda; está celebrando a própria evolução, o abandono do purismo do metal em prol de uma sonoridade que abraça o pop, o eletrônico e a diversidade.
Entender a trajetória do Bring Me The Horizon é reconhecer a força geracional de um grupo que tem as ganas de encerrar o clichê em dizer que “o rock morreu”.
Continua após o post
Catarse, sentimentalismo e música ao vivo
“L.I.V.E. in São Paulo” é um triunfo absoluto. Para quem esteve na grade no Allianz Parque, o filme é o privilégio de reviver uma catarse; para quem vê de fora, é um convite irrecusável para “sair do coma” e entrar no universo vibrante do Bring Me The Horizon.
Me dou a licença de sair do foco jornalístico para dizer: como é bonito ter o privilégio de reviver um dia tão especial com o cuidado de um trabalho muito mais do que bem feito, ver rostos conhecidos que me fizeram vibrar, cantar faixas que significam (e ganharam significado) como se eu estivesse perto da grade novamente, se emocionar porque a música me salvou e me salva todos os dias a partir do momento que acordo e me deito para dormir.
É imersivo, é violento, é doce e, acima de tudo, profundamente humano. Um presente para os fãs da banda, do rock/metalcore (como você queira definir) e principalmente um lembrete do poder da música – afinal, não existe mais lindo do que escutar sua banda/artista favorita(o) ao vivo.
★★★★★ (5/5)
OUÇA AGORA MESMO A PLAYLIST TMDQA! METAL
Nu Metal, Metalcore, Heavy Metal, Thrash e muito mais: todo peso das guitarras aparece na Playlist TMDQA! Metal para você ouvir clássicos e conhecer novas bandas agora mesmo. Siga o TMDQA! no Spotify!
O post Crítica: “Bring Me The Horizon: L.I.V.E. in São Paulo (Live Immersive Virtual Experiment)” é uma catarse de sentimentos apareceu primeiro em TMDQA!.
Eduardo Ferreira

LR




Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.