Justiça de VR aceita denúncia contra suspeitos do desaparecimento de mototaxista

A Justiça de Volta Redonda acatou a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) contra quatro suspeitos do desaparecimento do mototaxista Wesley dos Santos Silva Henrique, de 30 anos. Ele não é visto desde o dia 21 de outubro do ano passado. A denúncia foi oferecida com base nas investigações conduzidas pela 93ª DP. Segundo a Polícia Civil, a conclusão é de que Wesley foi vítima de extorsão mediante sequestro com resultado morte, seguida de ocultação de cadáver, por criminosos do Comando Vermelho que atuam nos bairros Siderlândia e Açude. Dois suspeitos estão presos e outros dois são considerados foragidos. Segundo o que foi apurado pelos investigadores, traficantes teriam acusado Wesley de vender drogas de maneira autônoma em áreas dominadas pela facção, o que teria motivado a represália. Ainda conforme as investigações, no dia em que desapareceu o mototaxista foi abordado na Siderlândia por integrantes da organização criminosa, sendo levado inicialmente para a Praça Delton Vieira de Lima, nas proximidades da residência do suspeito de ser um dos executores do crime.

Em seguida, ele foi conduzido para uma área de mata nas proximidades, onde permaneceu sob vigilância armada por aproximadamente três horas, período no qual foi coagido, com emprego de arma de fogo, a realizar transferências bancárias via Pix que totalizaram R$ 9,4 mil. Pelo que a investigação indicou, mesmo após o pagamento da quantia exigida, Wesley não foi libertado. A polícia não tem dúvidas de que ele foi assassinado, sendo o corpo ocultado em local ainda não identificado. Na denúncia, consta que são dois executores diretos da extorsão, responsáveis pela restrição da liberdade da vítima, coação para realização das transferências bancárias e posterior ocultação do corpo. Segundo a Polícia Civil, eles fugiram de Volta Redonda e estão escondidos em comunidades da cidade do Rio de Janeiro, abrigados pela facção que integram.

Quanto aos suspeitos presos, a polícia diz que um é forneceu a conta bancária para o recebimento dos valores extorquidos de Wesley, viabilizando o recebimento e, depois, a distribuição da quantia obtida. O outro foi identificado pelas imagens de um posto de combustíveis conduzindo a motocicleta de Wesley, sendo responsável por levar o veículo e o aparelho celular da vítima até o Complexo do Alemão, no Rio, onde foram revertidos em proveito da organização criminosa. A denúncia acusa os suspeitos de extorsão mediante sequestro com resultado morte, ocultação de cadáver, associação para o tráfico e posse ilegal de arma de fogo e munição de uso permitido. Somadas, as penas máximas destes crimes podem resultar em 47 anos de prisão, tempo que pode aumentar devido a agravantes. Ainda de acordo com a polícia, um dos suspeitos de ser um dos executores direto do crime já foi condenado por homicídio, estando em liberdade desde 13 de dezembro de 2024. O outro suspeito de ser também executor tem duas condenações, por associação para o tráfico e tráfico de drogas, estando em liberdade desde 4 de julho de 2024. “Os antecedentes criminais evidenciam a reiteração delitiva e o histórico de envolvimento com organizações criminosas, circunstâncias que reforçam a gravidade concreta dos fatos apurados”, afirma a Polícia Civil.

Confrontos armados e ações repressivas – Durante as diligências para a localização do corpo de Wesley, a equipe da 93ª Delegacia de Polícia foi recebida a tiros em duas oportunidades por traficantes vinculados à mesma facção criminosa. Em consequência, foram realizadas operações nos bairros Siderlândia, Açude e Jardim Belmonte, resultando na derrubada de uma “seteira” utilizada para confronto armado contra forças de segurança e na prisão de pelo menos 12 traficantes ligados à organização criminosa responsável pelo crime. A Polícia Civil afirma que, embora a ação penal já tenha sido instaurada com o recebimento da denúncia, seguirá investigando para localizar o corpo de Wesley e capturar os dois foragidos, além de identificar outros possíveis envolvidos no crime.

Durante as investigações, a mãe de Wesley, Rosilene dos Santos Silva, criticou a polícia em redes sociais. “Apesar das ofensas e agressões verbais dirigidas aos agentes públicos, a investigação jamais foi interrompida ou desacelerada, prosseguindo de forma técnica e fundamentada em provas, logrando êxito em identificar integralmente a dinâmica criminosa e os envolvidos”, diz a nota da 93ª DP. Nesta segunda, a mãe afirmou à reportagem que a informação de que Wesley praticava tráfico de drogas não procede. “Meu filho sempre trabalhou e seus ex-patrões podem confirmar, assim como seus amigos e sua ex-mulher. Nunca foi preso com drogas e posso assegurar que nunca houve vestígios de drogas dentro de minha casa”, rebateu.

Informa Cidade

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LR

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