OAB BM realiza palestra sobre feminicídio com relato de sobrevivente
Foto: Divulgação
Barra Mansa – A subseção da OAB Barra Mansa realizou, na noite de quarta-feira (25), a palestra ‘A Gente Precisa Falar sobre Feminicídio’, com a participação de autoridades do Judiciário, forças de segurança, representantes do Poder Público e entidades civis. O evento foi promovido por meio da Comissão de Jornalismo e mediado pelo presidente da instituição, o advogado Aloizio Perez.
Entre as palestrantes esteve a delegada titular da DEAM de Volta Redonda, dra. Juliana Montes.
Durante o encontro, Andrea Costa, natural de Volta Redonda, relatou pela primeira vez em público a tentativa de feminicídio que sofreu em fevereiro de 1989. À época, ela morava no Rio de Janeiro.
Segundo o relato, enquanto dormia, foi atingida por um disparo de arma de fogo efetuado pelo então marido. O tiro atingiu o ouvido esquerdo e atravessou a cabeça, comprometendo também o olho direito. Após o crime, o agressor morreu. Andrea permaneceu cerca de um mês em coma. A filha do casal tinha dois anos na ocasião.
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Ela afirmou que enfrentou ameaças da família do agressor e que passou por mais de 30 cirurgias ao longo dos anos. As sequelas físicas e emocionais permanecem. Atualmente em acompanhamento terapêutico, Andrea declarou que decidiu falar publicamente sobre o caso diante do aumento dos registros de feminicídio no país.
Duas cartas foram deixadas pelo agressor, uma destinada à filha e outra à família.
Andrea informou que prepara o lançamento do audiobook “Levanta senão você vai morrer”, que será divulgado no canal Escritoras e Histórias.
Dados e legislação
A delegada Juliana Montes apresentou informações sobre o atendimento prestado pela DEAM, incluindo o público LGBTQI+, e destacou a atuação de Paloma Salume, apontada como a primeira mulher transsexual no Brasil a coordenar esse tipo de serviço.
Ela também explicou as classificações de feminicídio previstas na legislação: íntimo, quando praticado por companheiro ou ex-companheiro; não íntimo, quando não há vínculo afetivo; e profissional, quando relacionado à posição ocupada pela vítima.
Durante a palestra, foram mencionados casos internacionais envolvendo Jeffrey Epstein e Prince Andrew, citados como exemplos em debates sobre violência e abuso sexual.
A presidente da Comissão de Jornalismo, Jane Portella, apresentou dados sobre o tema. Segundo ela, em 2025 o Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio. No Sul Fluminense, foram contabilizados 10 casos no mesmo período. Em Volta Redonda, duas tentativas foram registradas nos dois primeiros meses de 2026.
De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, em 2025 foram julgados 15.453 processos relacionados à violência contra a mulher e abertos 11.883 novos casos. No mesmo ano, 621.202 medidas protetivas foram concedidas.
Jane Portella também citou levantamento da OAB-RJ indicando que 79% das advogadas relataram ter sofrido violência doméstica.
Encaminhamentos
Representantes da Patrulha da Mulher, do Centro Especializado de Atendimento à Mulher e do Judiciário defenderam a ampliação de ações preventivas, fortalecimento das redes de proteção e integração de políticas públicas.
A juíza Anna Carolinne Licasalio afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher envolve, além da atuação judicial, ações voltadas à educação e conscientização. A vice-prefeita Luciana Alves destacou a necessidade de articulação entre poder público e sociedade civil.
Fotos: Divulgação
Mayra Gomes
OAB BM realiza palestra sobre feminicídio com relato de sobrevivente

LR
OAB BM realiza palestra sobre feminicídio com relato de sobrevivente




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