OPINIÃO: RAYE alcança a quintessência de sua artisticidade em “THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE.”, seu novo álbum
Em setembro de 2025, quando lançou a viciante “WHERE IS MY HUSBAND!” como primeiro single de seu ainda vindouro novo álbum de estúdio (que na época nem tinha título definido), RAYE bagunçou o tabuleiro musical vigente ao conquistar o público e dominar as paradas de sucesso com um empolgante jazz-pop, indo totalmente na contramão do que estava em alta nos charts naquele momento. Ao mesmo tempo em que a faixa surgiu como um muito bem-vindo refresco para os ouvidos, a artista elevou o nível das expectativas a respeito de seu próprio trabalho. Seria ela capaz de manter ao longo de um disco completo a alta qualidade apresentada na canção? Seis meses depois, estamos em março de 2026 e finalmente temos a resposta para essa pergunta: sim, ela conseguiu! E não apenas isso: ela foi além!
Imagem: divulgação
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Apresentado oficialmente ao mundo nesta sexta-feira (27), em meio a tradicional tsunami de lançamentos que semanalmente inunda as plataformas digitais, “THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE.” se sobressai dentre as demais novidades como um retrato do tempo a qual pertence; ou em outras palavras, um ‘zeitgeist’. Ao longo de 17 faixas muitíssimo bem produzidas e instrumentadas, RAYE sintetiza parte das inquietações humanas que trespassam o nosso dia a dia, seja em maior ou menor grau, e as transforma em poesia pura, arte com alma, uma obra de inteligência totalmente não artificial.
Da primeira até a última canção, a cantora conduz o ouvinte por uma jornada de altos e baixos com começo, meio e fim; norteada por ponderações sobre os fardos da vida, sobre o sentir e o prosseguir, sobre o chorar e o motivar, sobre o morrer e o viver. Suas composições revelam a natureza de alguém que não lê o mundo do ponto de vista de um pedestal, à distância, mas sim com os dois pés fincados no chão. Alguém que não apenas compreende o que se passa ao seu redor neste mundo, cada vez mais louco e voraz, mas também o vivencia e experimenta; e, portanto, o descreve com notável propriedade e poder de conexão.
Faixa a faixa
Como numa sessão de terapia, RAYE ambientaliza o ouvinte num cenário quase tangível ao passo que abre os trabalhos falando de suas desilusões amorosas. “Ela já tomou sete Negronis / E ela carrega um vazio que está tentando desesperadamente preencher”, afirma em “Intro: Girl Under The Grey Cloud.”. A artista continua seus desabafos em “I Will Overcome”. “Enquanto rolava a tela, suspirei (Que inveja!) / De todos online que são tão mais felizes / E satisfeitos e completos”, diz. Um verso tão atual quanto trágico. Mais adiante, após fazer um alerta sobre homens tóxicos em “Beware.. The South London Lover Boy.” e “The WhatsApp Shakespeare.”, e cantar um amor não correspondido em “Winter Woman.”, a britânica se desnuda de toda e qualquer armadura ao abrir a intimidade e questionar sua própria existência enquanto luta contra claros sinais de depressão em “Click Clack Symphony.”. A faixa conta ainda com o inconfundível instrumental de Hans Zimmer, que só engrandece a potência e o significado da canção.
No entanto, é na intimista “I Know You’re Hurting.” que a artista se volta diretamente para o ouvinte e entrega a faixa mais emocionante do álbum. “Você sempre encontra algumas palavras gentis para um estranho / Eu gostaria que você pudesse encontrar algumas para si mesmo”, declara RAYE num tom de pesar. Com sensibilidade na voz, ela parece cruzar os limites do tempo e do espaço por meio das ondas sonoras e se posiciona ao lado de quem a escuta numa oferta de ajuda, apoio e companhia. “Não desista da sua vida / Fique comigo agora”, ela implora, como se tivesse total conhecimento das lutas cotidianas enfrentadas por todos nós. “Vai ficar tudo bem, tudo vai ficar bem”, garante. E com tamanho gesto de acalento, é impossível segurar as lágrimas antes de seguir para a próxima faixa.
Depois de passar pela bela “Nightingale Lane.” e pelo smash hit “WHERE IS MY HUSBAND!”, que a essa altura já dispensam elogios, a cantora faz jus ao título do álbum e encontra a luz no fim do túnel nas esperançosas “Fields.”, “Joy.” e “Happier Times Ahead.”, que arrebatam a audição do disco com influências do gospel. Por fim, mas não menos importante, RAYE ainda surpreende o ouvinte ao passar pela lista de créditos e agradecimentos de maneira ritmada e festiva, na derradeira “Fin”.
Conclusão
Do alto de seus singelos 28 anos de idade, e logo em seu segundo álbum de estúdio, RAYE alcança a quintessência de sua artisticidade em “THIS MUSIC MAY CONTAIN HOPE.” e se consolida como um dos nomes mais importantes da atualidade no cenário musical internacional. Acompanhada de uma orquestra afinada e participações mais que especiais, a cantora e compositora entrega uma obra robusta, complexa e bem lapidada, que pouquíssimos artistas conseguiriam atingir na mesma idade. Ainda que estejamos na metade do primeiro semestre de 2026, não é exagero dizer que temos entre nós um fortíssimo candidato ao título de Melhor Álbum do Ano (senão o vencedor da disputa).
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Giovanni Oliveira

LR




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