PM agride estudantes em escola estadual do Rio


O policial militar Ricardo Telles Noronha Júnior agrediu estudantes dentro do Colégio Estadual Senor Abravanel, antigo Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, na Zona Sul, na manhã desta quarta-feira (25). Em imagens que circulam nas redes sociais é possível ver o momento em que o agente parte para cima de pelo menos dois jovens em meio a uma discussão.

Com a farda do Batalhão de Choque, o policial agrediu uma estudante com tapas no rosto. Em seguida, um colega que tentou intervir também foi atingido com um soco no rosto e foi derrubado.

As vítimas são a presidente da Associação Municipal dos Estudantes do Rio de Janeiro (Ames-RJ), Marissol Lopes, 20 anos, e o secretário-geral instituição Theo Oliveira, de 18.

Segundo a Ames-RJ, os representantes das instituições chegaram a ser detidos e encaminhados à delegacia. Eles haviam sido chamados por alunos da escola para encabeçar um abaixo-assinado exigindo o afastamento de um professor acusado de assédio. A defesa deles destacou, inclusive, que eles tinham uma autorização nominal cedida pela Secretaria de Estado de Saúde para que pudessem acessar a instituição e colher as assinaturas.

“Fomos solicitados a ir à escola e, referendados pela Lei do Grêmio Livre, que foi assinada pelo ex-governador Leonel Brizola, entramos na escola, porque é nosso direito como entidade estudantil eleita. Nós fomos à escola para entregar um abaixo-assinado, e os policiais, de forma bastante truculenta, agrediram, jogaram spray de pimenta. Inclusive, a minha camisa está rasgada. Eles desferiram dois tapas em mim e também deram um soco em um diretor da AmesRio”, disse Marissol ao ‘RJ 1’, da TV Globo.

“A recepção da escola não quis olhar a autorização da secretaria, e a diretoria chamou a polícia. Tentamos conversar, de que esse não era um caso de polícia, mas de diálogo, de que deveriam chamar os estudantes para entender sobre o que era aquele abaixo-assinado. Mas não fizeram isso. O que deveria ter sido tratado como caso de polícia, que é o assédio, não foi. Mas foi criminalizado dois estudantes recolhendo assinaturas”, indignou-se Monique Zuma, integrante da Rede Nacional de Advogados Populares e coordenadora do Movimento Mulheres Olga Benário, que representa Théo e Marissol no caso.

Marissol, ainda ao RJ1, reforçou que não houve diálogo antes das agressões. “A tentativa de conversa foi bem rápida. Ele falou que a gente tinha que se retirar, mas nós citamos a Lei do Grêmio Livre, explicando que deveríamos estar na escola independentemente de autorização, porque a polícia não está acima da lei federal. Mas, infelizmente, eles se acharam no direito de nos agredir apenas porque a gente tornou exposto um caso que estava abafado. Então, a tentativa de diálogo foi muito restrita”, acrescentou.

Procurada, a Polícia Militar informou que “diante da gravidade dos fatos contidos nas imagens captadas na referida unidade de ensino, determinou que a Corregedoria Geral instaure um procedimento para apurar a conduta do agente de maneira imediata.”

Ainda de acordo com a corporação, o agente já foi identificado e será encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM). O policial foi preventivamente afastado do serviço das ruas.

“A PM reitera seu compromisso institucional de atuar em defesa da sociedade e de sempre apurar com a atenção e transparência necessárias a conduta de seus policiais em serviço”, finalizou em comunicado.

“Acionamos a Corregedoria da PM, porque o policial que agrediu precisa responder de alguma forma. Registramos aqui na delegacia, a escrivã anotou como abuso de autoridade, que foi o que aconteceu, e assim o caso será investigado. E vamos verificar se o policial foi afastado de fato, como diz a versão que a PM apresentou para a imprensa. Precisamos averiguar se de fato ele vai responder”, acrescentou a advogada Monique Zuma.

Logo após a agressão, os jovens foram liberados da delegacia e participaram de uma manifestação na escola.

Por meio de nota, a Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) lamentou o ocorrido e reforçou que não compactua com qualquer forma de violência no ambiente escolar, prática incompatível com os princípios que orientam a educação pública, e informou que prestará todo apoio necessário aos alunos envolvidos.

A pasta explicou ainda que a PM foi acionada durante um protesto de estudantes de forma preventiva, com o objetivo de garantir a segurança de todos e preservar um ambiente adequado ao diálogo.

Em relação a denúncia de assédio, a Seeduc acrescentou que determinou o afastamento imediato do professor alvo da manifestação e que abriu uma sindicância para apurar o caso e a conduta dos demais servidores envolvidos.

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André Aquino
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