TMDQA! Entrevista: Varanda, Lollapalooza Brasil e dominação mundial

A banda Varanda facilmente pode ser a voz que escolheu o momento exato para aumentar o volume se o novo indie brasileiro fosse um segredo contado ao pé do ouvido antes de virar um grito coletivo. Vinda de Juiz de Fora para oxigenar o cenário nacional, o grupo – formado por Amélia do Carmo, Augusto Vargas, Bernardo Mehry e Mario Lorenzi – não apenas caminha pelas frestas do cotidiano; ela as transforma em hinos de uma vulnerabilidade cortante e, ao mesmo tempo, solar.
Após consolidarem seu espaço com a densidade emocional de Beirada e a delicadeza de Rebarba, os mineiros chegam a 2026 provando que a “calmaria” que estampam no nome é, na verdade, a força que precede a tempestade. Eles não são apenas uma promessa em potencial, são a confirmação de que guitarras limpas e letras confessionais ainda conseguem furar a bolha da pressa digital para criar conexões reais, de carne e osso.
Continua após o post
O próximo capítulo dessa ascensão tem endereço certo: o Lollapalooza Brasil 2026. Escalada para o sábado, 21 de março, a Varanda leva o sotaque das Alterosas para o asfalto de Interlagos, dividindo o line-up com ícones como MARINA e Chappell Roan. É o encontro da intimidade do quarto com a imensidão do festival, um teste de fogo para quem fez da “música de sentir” o seu maior trunfo.
O TMDQA! conversou com Augusto e Amélia sobre o frio na barriga de estrear no Autódromo, o processo de amadurecimento sonoro que os trouxe até aqui e como é manter a essência mineira enquanto conquistam os palcos mais disputados do país. Confira a entrevista completa abaixo!
TMDQA! Entrevista – Varanda
TMDQA!: Fala galera! Sempre é bom conversar com amigos. Queria começar mencionando que em uma entrevista dada recentemente, o Augusto contou que o convite para integrar o line do Lolla veio via DM no Instagram enquanto vocês estavam na estrada. Se vocês pudessem escolher uma trilha sonora da própria banda para aquele momento exato do “choque” dentro do carro, qual seria?
Augusto Vargas: Acho que eu escolheria alguma música que tem algum momento de muita piração, pois casaria perfeitamente com o que aconteceu no momento em que a gente leu a mensagem, como o final de “Barcos no Mar”, o finalzinho de “Leva e Vem” ou “Vontade”…
TMDQA: O disco de estreia fala muito sobre as margens, o “comer pelas beiradas”. Agora que vocês estão no centro do line-up de um festival internacional, como é a sensação de, finalmente, “pular no meio do oceano”?
Augusto: Ao mesmo tempo que é assustador também é muito maneiro e gratificante estar aqui, dá um orgulho da caminhada. Em meio a esse vasto oceano são muitos caminhos pra seguir e podemos passar até por essa sensação de estar perdidos ou à deriva, porém sinto que a banda está muito alinhada e sabemos por onde seguir, o destino a gente já sabe.
Amélia do Carmo: Sinto que a gente tá centrado no nosso som, em levar ele pro máximo de pessoas, e ainda que a proporção do festival seja assustadora é reconfortante olhar pro caminho que a gente trilhou e imaginar um futuro a partir daí.
TMDQA!: No sábado, vocês dividem o line-up com a energia pop da Chappell Roan, o peso eletrônico do Skrillex e a melancolia do Lewis Capaldi. Onde a Varanda se encaixa nesse espectro? Vocês se sentem mais “Pink Pony Club” ou mais “Bangarang”?
Augusto: Totalmente “Bangarang”. [risos] Vamos nessa!
Amélia: Eu puxo a sardinha das garotas totalmente pro “Pink Pony Club”, temos um equilíbrio aí. Fãs de Chappel Roan também podem curtir Varanda!
Continua após o vídeo
TMDQA!: No mesmo dia temos Jadsa e Agnes Nunes, por exemplo. Existe algum plano de “ponte” ou colaboração especial, já que a banda sempre valorizou o contato com quem está fazendo algo parecido na cena? E existe algum show que vocês estão bem ansiosos para assistir no festival?
Augusto: Valorizamos demais esse contato com a cena e essa troca. Pode ter certeza que vai ter surpresa nesse show…
Eu estou muito ansioso para assistir o show da Jadsa, na sexta quero ver Terraplana e Men I Trust e no domingo Jonabug, Oruã, Turnstile… Uma galera!
Amélia: Ver e tocar junto dessa galera que tá surgindo na cena é uma grande honra pra gente. Queremos encontrar geral no pós show.
E pra além disso, esse line tá conversando muito com ícones da minha trajetória musical quando adolescente, finalmente verei a MARINA e a Lorde, vai ser lindão!
TMDQA!: O EP Rebarba mostrou um lado mais ruidoso e noise da banda. Vocês pretendem levar essa “sujeira” experimental para o festival ou vão focar no brilho oitentista de Beirada?
Augusto: Com certeza vamos levar um cadinho do Rebarba também para esse show, vai ser a cereja do bolo.
TMDQA!: Amélia, como influenciadora de drinks, se você tivesse que criar um drink inspirado pela banda e a presença no festival, quais seriam os ingredientes e qual seria o teor de “distorção” dele?
Amélia: Putz… Ah, vamos de dose de cachaça pura mesmo porque a gente quer chegar chegando nesse trem! [risos]
Continua após o vídeo
TMDQA!: Vocês dizem que a banda se transforma ao vivo. Existe alguma música nova, daquelas que Augusto disse que já estão sendo trabalhadas, que pode aparecer como um “spoiler” de um segundo disco em pleno Lollapalooza?
Augusto: Acho que não vamos apresentar nenhum spoiler nesse show, mas muito em breve a nova fase vem chegando!
Amélia: Vamo deixar pra dar tchau pra essa era tão importante pra gente em grande estilo!
TMDQA!: Juiz de Fora vibrou com a notícia. O que significa para o quarteto levar o selo do Estúdio LadoBê para o mundo? É o fim da “primeira fase” e o início de quê?
Augusto: É importante pra caramba levar nossa música tão longe sendo uma banda independente de Juiz de Fora, é maneiro para mostrar para todo mundo que você consegue ir longe mesmo sendo uma banda do interior, que não precisa ser nepobaby ou coisa parecida para seguir nessa caminhada.
E esse acontecimento marca sim o início de uma nova fase da banda, estamos aos poucos nos despedindo dessa fase do Beirada e acredito que esse momento do Lolla é a transição, uma fase de expandir o alcance e conquistar um cadinho mais do Brasil e do mundo…
Amélia: Início da dominação mundial! [risos]
TMDQA!: Pessoal, por fim, temos uma tradição e eu quero muito saber: com base no nome do nosso veículo, vocês também consideram ter “mais discos que amigos”? E se pudessem escolher um disco importante para vocês, qual seria e por quê?
Augusto: Acho que temos muito mais amigos do que discos e os discos também são os amigos que fizemos pelo caminho. Eu não sei dizer um disco importante pra banda toda, mas um disco muito importante para mim é o Atlas da banda Baleia, com certeza foi um dos discos que me deu vontade de ter banda e já ouvi um milhão de vezes.
Amélia: Queremos ter mais amigos do que discos pois por enquanto só temos um disco… Minha escolha é o The Idler Wheel da Fiona Apple, ele me inspira a escrever e ser honesta. Roubando e escolhendo mais um, digo o Apká! da Céu, uma artista que sempre me marcou em todas as suas versões e sempre me dá vontade de cantar.
Continua após o vídeo
Varanda no Lollapalooza Brasil
Assim como Foto em Grupo, Viagra Boys, Men I Trust e muitos outros nomes, a Varanda compõe o line do maior festival do país! O Lollapalooza Brasil toma conta do Autódromo de Interlagos nos dias 20 a 22 de março, e você pode garantir seus ingressos no site da Ticketmaster Brasil!
Somos parceiros editoriais oficiais do evento, e com uma cobertura ampla, seja aqui em nosso site ou nas redes sociais, vocês não perdem um segundo da experiência do #LollaBR.
Nos vemos lá!
OUÇA AGORA MESMO A PLAYLIST TMDQA! BRASIL
Música brasileira de primeira: MPB, Indie, Rock Nacional, Rap e mais: o melhor das bandas e artistas brasileiros na Playlist TMDQA! Brasil para você ouvir e conhecer agora mesmo. Siga o TMDQA! no Spotify!
O post TMDQA! Entrevista: Varanda, Lollapalooza Brasil e dominação mundial apareceu primeiro em TMDQA!.
Eduardo Ferreira
TMDQA! Entrevista: Varanda, Lollapalooza Brasil e dominação mundial

LR
TMDQA! Entrevista: Varanda, Lollapalooza Brasil e dominação mundial




Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.