10 artistas com visões opostas sobre a relação entre música e política

A relação entre música e política é um tema frequentemente discutido e que segue dividindo opiniões dentro e fora da indústria musical, talvez mais do que nunca nos últimos tempos.
Enquanto alguns artistas defendem que a arte deve estar livre de posicionamentos políticos, outros acreditam que a música também é uma ferramenta de protesto, conscientização e transformação social.
Essa diferença de visão fica evidente entre nomes conhecidos da música internacional. De um lado, artistas como Ed Sheeran e James Hetfield demonstram resistência a se posicionar publicamente sobre determinadas questões políticas.
Do outro, músicos como Macklemore e Tom Morello usam sua visibilidade para manifestar opiniões e chamar a atenção para temas sociais e humanitários, mesmo diante de possíveis críticas e controvérsias.
A seguir, confira uma lista reunida pela Far Out unindo cinco artistas que defendem o distanciamento entre música e política a outros cinco que enxergam o posicionamento como parte importante de seu trabalho!
10 artistas com visões opostas sobre a relação música e política
Ed Sheeran — Apolítico
Ed Sheeran já dedicou sua música a causas políticas, mas tem evitado se posicionar publicamente sobre outras questões, como a situação na Palestina. Durante a Loop Tour, turnê da qual Macklemore foi retirado por se posicionar em prol da Palestina, o cantor britânico afirmou que “nunca quis ser um músico ativista” e que se viu “no meio de uma discussão importante e acalorada sobre liberdade de expressão e a questão política mais complexa do planeta”.
Enquanto muitos esperavam outra postura de Sheeran, o músico manteve um posicionamento apolítico e se tornou alvo de duras críticas tanto de fãs como de outros artistas.
Macklemore — Político
Conhecido inicialmente por sucessos descontraídos como “Thrift Shop”, Macklemore passou a ocupar um espaço de destaque no ativismo político. Em 2024, lançou “Hind’s Hall”, música em que expressa seu posicionamento sobre o conflito entre Israel e Palestina, e desde então tem criticado o silêncio de outros nomes da indústria musical.
Seu posicionamento também teve consequências profissionais, como a situação que citamos acima em relação à atual turnê de Ed Sheeran. Depois do rapper ter dito “Palestina Livre” ao se apresentar na abertura dos shows, o músico foi removido da programação. Mesmo assim, manteve sua posição e declarou:
“Se essas palavras me custaram o palco, ao mesmo tempo que redirecionaram a conversa para a Palestina, então foi a turnê de maior sucesso da minha carreira.”
James Hetfield — Apolítico
James Hetfield deixou claro que o Metallica não pretende usar seus shows para influenciar politicamente o público. Indo contra os princípios de contestação que guiaram importantes nomes do Metal, o vocalista afirmou durante uma apresentação recente na Sphere, em Las Vegas, que a banda não estava ali para transmitir opiniões, mas sim para oferecer uma experiência centrada na música:
“Só preciso dizer que o Metallica não está aqui, como alguns outros artistas, para influenciar vocês com suas besteiras, ok? Estamos aqui, sem enrolação – estamos aqui para esquecer toda a merda lá fora, beleza? A missão do Metallica é amor, energia e música pesada, meu bem.”
Bruce Springsteen — Político
A música de Bruce Springsteen é marcada por comentários sobre a sociedade e a realidade dos Estados Unidos. Uma de suas grandes influências foi Bob Dylan, que o ajudou a desenvolver uma visão da composição como forma de retratar o país e suas contradições.
Ao longo dos anos, Springsteen incorporou questões políticas e sociais ao repertório e às apresentações. Seus comentários sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, durante a recente turnê Land of Hope and Dreams são mais um exemplo de como o músico utiliza sua plataforma para expressar opiniões e provocar reflexões sobre o cenário político.
Gene Simmons — Apolítico
Gene Simmons tem se mostrado um tanto quanto controverso ao criticar artistas que usam sua visibilidade para defender posições políticas. O músico, que em outro momento já incentivou bandas a evitarem shows ao vivo na Rússia e criticou os antivacinas durante a pandemia, declarou que os artistas deveriam se concentrar apenas em sua própria arte:
“Basicamente, calem a boca. Façam sua arte e calem a boca. Ninguém está interessado em suas opiniões, nem eu, em quem eu voto ou de quem eu gosto. Quem vocês pensam que são? As pessoas nos Estados Unidos trabalham duro para ganhar a vida e não querem sermões de gente que mora em mansões e dirige Rolls-Royces.
Já passou da hora de todo mundo na indústria do entretenimento calar a boca e simplesmente fazer a sua arte. Ninguém se importa com o que vocês pensam – eu não me importo.”
Tom Morello — Político
Se tem um artista que ficou conhecido tanto pela sua arte como por seu ativismo foi Tom Morello. O integrante do Rage Against the Machine fez da crítica social uma das principais marcas de sua trajetória, tanto nas letras quanto na postura pública, tanto que até mesmo suas guitarras costumam carregar mensagens de resistência.
O artista já comentou que desde jovem, quando começou a ouvir punk e hip-hop, entendeu que também iria expor sua opinião por meio da música. Em entrevista exclusiva à Far Out, ele disse:
“Descobri o The Clash e depois o Public Enemy, o que me fez perceber que era possível ter música excelente que também refletisse as ideias que estavam na minha alma. Sabe, esse tipo de música é rebeldia como autocuidado. E o rock and roll ou o hip hop são autodefesa em tempos difíceis.”
Alice Cooper — Apolítico
Apesar da constante intenção de Alice Cooper de se candidatar à presidência dos Estados Unidos, o roqueiro já deixou claro que prefere manter distância quando o assunto é política. Em entrevista à Rolling Stone, em 2010, o cantor se definiu como “extremamente apolítico” e disse que costuma evitar discussões sobre o assunto, mesmo quando está entre pessoas que defendem posições diferentes:
“Faço de tudo para ser apolítico. Provavelmente sou o maior moderado que você conhece. Quando John Lennon e Harry Nilsson discutiam política, eu estava sentado bem no meio deles, e eu era o cara que dizia: ‘Não me importo’.”
Cooper enxerga o rock como uma forma de escapismo, capaz de oferecer ao público uma pausa diante dos problemas cotidianos.
Joan Jett — Política
Diferente de alguns astros do rock, a carreira de Joan Jett foi marcada por canções repletas de emoção e significado, o que consolidou a artista como uma das mais socialmente conscientes da atualidade. Certa vez, ela declarou:
“Dizer ‘cale a boca e cante’ nunca foi realmente algo que músicos ou artistas fazem. Desde sempre.”
Em entrevista à Far Out em 2026, Jett também destacou que se manter conectada com a vida cotidiana é fundamental para seu processo criativo. Essa relação com o mundo ao redor inspira composições que podem abordar assuntos difíceis sem abrir mão da alegria, mostrando como o engajamento e a expressão artística podem estar relacionados.
Neal Schon — Apolítico
Neal Schon, guitarrista do Journey, defende que a banda mantenha a política fora de sua música. O músico quase tomou partido quando entrou com uma ação judicial contra seu colega de banda, Jonathan Cain, por seu apoio público a Donald Trump, mas acabou ficando “isentão” e usou como justificativa o fato de Cain ter desrespeitado a regra da banda Journey de se manter fora da política.
Sobre o assunto, ele declarou:
“Nunca tivemos a intenção de associar política à nossa música, e nunca vamos nos associar a nenhuma religião específica. Não que sejamos irreligiosos, cada um tem a sua religião. Mas por que se prender a uma vertente específica? Por que ser vermelho? Por que ser azul? Por que ser verde?
Porque sabe de uma coisa? Você vai perder metade dos seus fãs se fizer isso. É a música de todo mundo. Eu simplesmente não concordo com isso. Ainda não concordo. E provavelmente é um dos motivos pelos quais as coisas ainda estão um pouco instáveis.”
Graham Nash — Político
Graham Nash, conhecido por seu trabalho com o Crosby, Stills & Nash, acredita que a arte deve refletir o momento em que é produzida. Ao longo da carreira, o cantor e compositor combinou experiências pessoais com comentários políticos, usando acontecimentos de seu tempo como inspiração para suas canções.
Essa perspectiva aparece também no álbum Now, lançado em 2023, que inclui “Golden Idols”, faixa com críticas ao movimento MAGA, associado a Donald Trump. Em entrevista à Far Out, Nash revelou que uma de suas inspirações para incorporar política em suas música foi uma citação de Nina Simone:
“Eu realmente ainda penso todos os dias em uma citação de Nina Simone, que disse: ‘Todo artista, seja compositor, pianista, escultor ou pintor, precisa refletir os tempos em que vivemos’.”
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Lara Teixeira
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LR
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