PCERJ deflagra operação ‘Guardião Infiel’ e prende suspeito de desviar R$ 13 mi
Foto: Paulo Dimas Decisão, proferida pela Vara Criminal, autorizou medidas cautelares probatórias, como busca e apreensão, todas cumpridas
Barra Mansa – Agentes da 90ª Delegacia de Polícia de Barra Mansa, coordenados pelo delegado titular Marcus Montez, deflagraram, na manhã desta sexta-feira (19), a Operação ‘Guardião Infiel’, com o objetivo de reprimir crimes de desvio de recursos públicos no âmbito da Prefeitura Municipal de Barra Mansa. Eles cumpriram determinação da Justiça e prenderam preventivamente um servidor público municipal suspeito de desviar recursos de fundos assistenciais ligados à Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos.
As investigações apontaram que o suspeito, de 31 anos de idade, servidor público de carreira, e que exercia a função de tesoureiro, teria desviado, ao longo dos últimos cinco anos, aproximadamente R$ 13 milhões dos cofres do município.
Os policiais cumpriram mandado de prisão preventiva, expedido pela 1ª Vara Criminal de Barra Mansa do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, sendo o servidor preso no bairro Monte Cristo, em Barra Mansa. O investigado foi denunciado pelo crime de peculato. Ainda durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em três endereços ligados ao investigado.
Nas diligências, foram apreendidos um aparelho de telefone celular, dois computadores notebooks, diversos cartões bancários e documentos, que serão analisados no curso da investigação.
A prisão do suspeito ocorreu após a promotora de Justiça Natália Cortez, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, acolher a representação da Polícia Civil e oferecer denúncia na quinta-feira (18).
Dinâmica dos fatos
De acordo com a Polícia Civil, no dia 2 de dezembro de 2025, a Prefeitura de Barra Mansa comunicou à 90ª Delegacia de Polícia a constatação de um vultoso desvio financeiro envolvendo recursos do Fundo Municipal de Assistência Social (FMAS), do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e do Fundo Municipal dos Direitos do Idoso (FMDI). A denúncia foi formalizada pelos secretários municipais de Finanças, Leonardo Ramos de Oliveira, e de Assistência Social, Joseane Ricarte — esposa do prefeito Luiz Furlani.
Os desvios, segundo a investigação da polícia, teriam sido praticados pelo então tesoureiro e administrador dos fundos. Após uma auditoria preliminar dos representantes da administração municipal, foi identificado um prejuízo inicial estimado em R$ 8 milhões, que pode chegar aos R$ 13 milhões. O suspeito se apresentou voluntariamente à delegacia.
De acordo com um dos agentes envolvidos na investigação, diante da gravidade do caso, foi realizada uma reunião com os secretários municipais e o prefeito para esclarecer os fatos. Funcionários foram ouvidos e relatórios de auditoria analisados, o que permitiu identificar o modus operandi do investigado. “O prejuízo financeiro causado à prefeitura gera risco à continuidade dos serviços públicos e ao pagamento das despesas correntes”, destacou o agente.
Conforme depoimentos colhidos e uma suposta confissão do suspeito, a Polícia Civil aponta que ele teria desviado recursos das contas bancárias da prefeitura por meio de transferências via PIX, destinando os valores, em grande parte, para contas pessoais ou para contas que não correspondiam a empresas cadastradas como prestadoras de serviços. Para ocultar os desvios, o servidor teria inserido dados falsos no sistema informatizado da prefeitura, incluindo extratos bancários adulterados.
Após reunião com o Ministério Público, ficou definido que a primeira fase das investigações teria como foco exclusivo o crime de peculato e a conduta do servidor suspeito.
Ainda segundo o processo, na sexta-feira passada (12), a 90ª DP, por meio do delegado titular Marcus Montez, representou pela decretação da prisão preventiva e por outras medidas cautelares, pedido que foi acatado pelo Ministério Público e pela Justiça.
Osmar Neves
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LR
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