Produtora PECK, criadora do Festival de Inverno Rio, celebra 25 anos expandindo atuação em turnês

Foto: Reprodução/Divulgação

A PECK decidiu comemorar seus 25 anos entrando de vez num mercado novo. Depois de duas décadas construindo alguns dos festivais mais relevantes do Rio de Janeiro, a produtora carioca assume em 2026 a criação e gestão de projetos de turnês nacionais.

“80 Girassóis”, de Alceu Valença, e o show histórico de Henrique & Juliano no Maracanã, que teve ingressos esgotados em horas, são ambos projetos assinados pela produtora. 

Segundo Peck Mecenas, sócio-diretor da empresa, esse movimento é resultado direto de duas décadas e meia construindo relacionamento com marcas, veículos de mídia e casas de shows Brasil afora. Uma rede que, segundo ele, deu à PECK a confiança e o repertório necessários para tirar do papel projetos de turnê com início, meio e fim.

Peck Mecenas – Foto: Reprodução/Divulgação

Mas se tem um case que resume bem a lógica de “olhar para onde ninguém está olhando” que guia a produtora é o Festival de Inverno Rio. Criado para ocupar um período do ano tradicionalmente considerado de baixa temporada numa cidade associada ao verão e à praia, o festival chega à nona edição como um dos pilares do calendário cultural carioca e já com a edição de dez anos sendo planejada.

Na conversa a seguir, Peck fala sobre os bastidores dessa entrada no mercado de turnês, o que faz uma marca como a Petrobras ou a Elo apostar em parcerias de longo prazo em vez de patrocínios pontuais, os desafios práticos de colocar sustentabilidade em prática dentro de um evento de grande porte, e como a percepção de risco mudou pra ele ao longo de 25 anos à frente do negócio.

Confira a entrevista abaixo!

TMDQA! Entrevista Peck Mecenas

TMDQA!: 2026 marca a entrada oficial da PECK no mercado de turnês, com projetos como 80 Girassóis do Alceu Valença e o show do Maracanã com Henrique & Juliano. O que motivou esse movimento, depois de duas décadas focada em festivais?

Peck: Na verdade, esse movimento é resultado da trajetória que a PECK construiu ao longo dos últimos 25 anos. Nesse período, conseguimos nos conectar com grandes marcas e consolidar parcerias muito sólidas com importantes veículos de mídia. Isso não aconteceu de uma hora para outra. Aos poucos, fomos conquistando a confiança das marcas, mostrando o potencial da produtora em conectar o público delas ao público dos nossos festivais e agregando grandes patrocinadores aos nossos projetos.

Essas conexões com marcas e parceiros de mídia também passaram a agregar muito valor às turnês de artistas. Foi isso que nos permitiu apresentar projetos para nomes como Alceu Valença, Henrique & Juliano e outros, potencializando essas iniciativas.

Além disso, ao longo desses 25 anos, a PECK teve a experiência de empresariar artistas como Cidade Negra, Armandinho e Ponto de Equilíbrio (ao mesmo tempo). Isso nos deu a oportunidade de viajar o Brasil, conhecer casas de shows, festivais e grandes parceiros e produtores em diferentes regiões do país, construindo uma rede de relacionamentos muito importante.

Com toda essa experiência adquirida, entendemos que era o momento de, em vez de atuar no empresariamento, desenvolver projetos específicos de turnês, com início, meio e fim, para os artistas. O Alceu Valença é apenas o começo. Já estamos construindo novas turnês para 2027.

Então, o que motivou esse movimento foi justamente o conjunto de oportunidades que a PECK conquistou ao longo dos últimos 25 anos, junto às marcas patrocinadoras, aos parceiros de mídia e aos relacionamentos que construímos com produtoras e casas de shows em todo o Brasil.

Alceu Valença – Turnê 80 Girassóis Foto por Pedro Malamam

TMDQA!: O mercado de festivais e turnês no Brasil cresceu muito nos últimos anos, com mais produtoras disputando os mesmos artistas e patrocinadores. Como a PECK, que comemora seus 25 anos, se diferencia e se reinventa nesse cenário mais concorrido?

Peck: Acho que o nosso principal diferencial é a forma como construímos relacionamento com as marcas. A gente preza muito por um trabalho de médio e longo prazo com patrocinadores, sempre buscando uma entrega de excelência. Mais do que cumprir o que está no contrato, a gente procura entregar além do que está no papel e surpreender os parceiros. Acho que é por isso que muitas marcas renovam conosco e seguem presentes nos nossos projetos ano após ano.

Outro diferencial é que a gente sempre procura olhar para onde ninguém está olhando. O Festival de Inverno Rio é um exemplo disso. Fazer grandes eventos no verão,especialmente no Rio de Janeiro, é um caminho natural. A gente mora em um país tropical, em uma cidade solar, mas a gente enxergou uma oportunidade no inverno,quando havia menos oferta de grandes festivais, e transformamos essa ideia em um projeto consolidado. No ano que vem, o Festival de Inverno Rio chega à sua décima edição, mostrando que essa visão deu certo. O mesmo acontece com as turnês. Muitas produtoras acabam olhando para os mesmosartistas e disputando os mesmos projetos. A gente procurou seguir um caminho diferente.

Em vez de entrar nessa concorrência, tivemos a iniciativa de propor um projeto para celebrar os 80 anos do Alceu Valença. Foi uma oportunidade que identificamos antes e isso nos permitiu construir uma parceria de forma muito mais saudável, sem aquela disputa que muitas vezes acaba inflacionando valores e dificultando os acordos.

Então, eu diria que a PECK se diferencia por dois fatores: a preocupação em construir relações duradouras com marcas e parceiros e a capacidade de identificar oportunidades antes do mercado. É isso que tem permitido à produtora se reinventar ao longo desses 25 anos e continuar crescendo.

TMDQA!: Vocês costumam ter um olhar macro do ano inteiro, né? Inclusive, quando se trata de inovar, fizeram um festival para o inverno no Rio de Janeiro que é um momento considerado de baixa temporada, movimentando a economia criativa nesse período. Depois de 25 anos de mercado, e 9 edições do FIR, quando se trata de inovação e planejamento macro, quais processos você considera essenciais que te levam a ter sucesso duradouro?

Peck: Eu acho que o essencial para você ter um projeto duradouro é planejamento. O Festival de Inverno Rio deste ano nem aconteceu ainda e a produtora já está planejando artisticamente a edição de 10 anos, que acontece no ano que vem. O mesmo acontece com o Clássicos do Brasil, que também já está sendo estruturado para que, em breve, possamos apresentar o projeto às marcas, aos patrocinadores e renovar essas parcerias.

Acho que planejamento é fundamental. Trabalhar com uma visão de longo prazo, de pelo menos um ano de antecedência, faz toda a diferença. É esse planejamento que permite que os projetos tenham sucesso e, principalmente, que se mantenham relevantes e duradouros.

TMDQA!: Poderia nos contar da onde exatamente veio a ideia do FIR e como convenceram parceiros e marcas dessa aposta nos primeiros anos?

Peck: A ideia do Festival de Inverno Rio nasceu exatamente da nossa forma de pensar. A PECK sempre procura olhar para onde o mercado ainda não está olhando. Em vez de seguir o caminho mais óbvio, que seria fazer grandes eventos no verão, buscamos uma oportunidade diferente, onde houvesse menos concorrência e espaço para criar um projeto com identidade própria. A gente também entendia que as marcas precisavam continuar se comunicando e se conectando com o público durante o inverno. Então, vimos ali uma oportunidade que ainda não estava sendo explorada.

Nos primeiros anos, é claro que não foi fácil. Estávamos propondo um festival de inverno em uma cidade como o Rio de Janeiro, conhecida pelo verão, pelas praias e pelo clima solar. Muita gente acreditava que, durante o inverno e as férias, o carioca sairia da cidade e que um projeto como esse não teria espaço.

Mas acreditamos nessa ideia, saímos da caixa e enxergamos uma lacuna que o mercado ainda não via. Hoje, o Festival de Inverno Rio é um projeto consolidado.

TMDQA!: O FIR cumpre 18 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Na prática, quais foram as mudanças mais desafiadoras de implementar num evento desse porte?

Peck: Foi um grande desafio, principalmente porque, nos últimos anos, a sustentabilidade passou a ser uma prioridade para as grandes empresas. À medida que começamos a trabalhar com marcas dos setores de óleo e gás, telefonia, cervejarias e outros segmentos, percebemos que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU também precisavam estar presentes, na prática, dentro dos nossos eventos.

Então, procuramos incorporar essas ações de forma concreta. Um exemplo é a igualdade de gênero. A partir desse olhar, passamos a pensar o line-up também sob essa perspectiva. Neste ano, por exemplo, dos seis dias do Festival de Inverno Rio, dois são totalmente dedicados às mulheres, além de outros dias em que elas também estão presentes em uma programação diversa, ao lado de grandes nomes da música brasileira.

Outra mudança importante foi a substituição dos copos descartáveis pelos copos ecológicos. O público pode levar o copo como lembrança do festival ou devolvê-lo ao final do evento, inclusive trocando-o por uma água mineral. São pequenas mudanças que fazem diferença e mostram que sustentabilidade precisa sair do discurso e acontecer na prática. Foi assim que passamos a olhar para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e implementá-los nos nossos projetos. Hoje, isso também se tornou um diferencial dos festivais da PECK.

TMDQA!: Hoje, na nona edição, o FIR já é um pilar da temporada carioca. O que você sente que ainda pode inovar com o festival?

Peck: Acho que a principal inovação para os 10 anos do Festival de Inverno Rio é que, a partir do ano que vem, o festival também passa a incorporar o esporte à programação. Vamos ter clínicas de beach tennis, futevôlei e vôlei de praia, além de aulas de yoga, ginástica, fisioterapia, massagem e outras atividades voltadas para saúde e bem-estar.

Essas ações vão acontecer durante os dias do festival e também no intervalo entre um fim de semana e outro, mantendo a Marina da Glória ativa ao longo de todo o período do evento. É uma novidade que amplia a experiência do público e um diferencial que já posso adiantar para a edição de 10 anos do Festival de Inverno Rio.

TMDQA!: A PECK construiu relação com marcas como a Elo, Petrobras, Heineken, Vivo e Banco do Brasil, entre outras ao longo de décadas. O que você acha que faz uma marca decidir apostar num projeto de longo prazo, e não só um patrocínio pontual?

Peck: Eu acho que o que faz uma marca apostar em uma parceria de longo prazo são as entregas que você é capaz de fazer. É a forma como você atende o cliente, principalmente quando ele precisa de alguma coisa que não está no papel ou no contrato, e você tem a capacidade e a sensibilidade de encontrar uma solução. Acho que é isso que faz um patrocinador querer construir uma relação duradoura com um projeto.

Também é muito importante quando você consegue apresentar um projeto que tenha aderência aos objetivos da marca. Vou citar o caso da Petrobras. Nós apresentamos o Clássicos do Brasil porque entendemos que a missão da empresa também passa por valorizar e fomentar a cultura brasileira. E um dos grandes pilares dessa cultura é justamente a música brasileira atemporal. Foi daí que nasceu a ideia do projeto, que conversa diretamente com esse propósito da Petrobras, esse é um dos cases que a gente tem. 

Acho que esse é um dos motivos que fazem a marca querer continuar patrocinando o festival e manter o Clássicos do Brasil no seu calendário de investimentos culturais.

TMDQA!: Como é ter apoio de marcas que celebram a brasilidade e a cultura brasileira como a Elo? e como foi esse processo de trazer a Elo como patrocinadora?

Peck: No caso da Elo, foi justamente pesquisando esse novo momento da marca. A gente identificou que a Elo queria comunicar para os brasileiros que é um cartão brasileiro, algo que muita gente ainda não sabia. 

A partir do momento em que eles começaram a reforçar essa mensagem e conectar o público com a brasilidade, a gente percebeu que seria um golaço aproximar a Elo de um projeto como o Festival de Inverno Rio.

O Festival de Inverno é um festival de música brasileira, que reúne artistas de diferentes estilos e vertentes, como samba, pagode, rock, reggae, MPB, rap, hip hop, entre outros. Então, existe uma identificação muito grande entre o posicionamento da Elo e o propósito do festival.

Nós identificamos isso acompanhando as campanhas publicitárias que a Elo vem fazendo nos últimos anos. Quando percebemos essa conexão com a brasilidade, entendemos que fazia todo sentido apresentar o projeto para a marca.

TMDQA!: Depois de 25 anos à frente da empresa, o que mudou na sua própria forma de tomar decisões? Você diria que hoje arrisca mais ou menos do que arriscava no começo?

Peck: Eu acho que, quando a gente fala de risco, principalmente do risco financeiro, uma coisa está muito ligada à outra. À medida que você consegue trazer mais marcas para os eventos e para os projetos, você consegue diminuir o risco e potencializar os resultados.

Acho que isso é possível graças ao planejamento e à história que a produtora vai construindo ao longo dos anos. Quanto mais patrocinadores e marcas a gente consegue trazer para os projetos, menor o risco vai ficando.

Então, eu acho que, a cada ano que passa, o risco vai diminuindo nesse sentido, porque a gente vai conquistando mais espaço, conquistando a confiança das marcas, tendo mais fomento para os projetos e, consequentemente, potencializando os resultados e diminuindo os riscos.

TMDQA!: Se você tivesse que resumir em uma frase o que a PECK representa hoje para cena de entretenimento ao vivo no Brasil, o que diria?

Peck: Música brasileira, estrutura e serviço de alto nível: público e marcas felizes.

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Nina Shimazumi

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LR

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