Quarta edição do Doce Maravilha aposta em encontros inéditos para se afirmar como festa da cultura brasileira

Em 2026, o Doce Maravilha confirmou uma programação que une encontros entre gerações, homenagens a discos marcantes e parcerias que só acontecem ali. De 7 a 9 de agosto, o Jockey Club Brasileiro, no Rio, recebe três noites de shows sob curadoria de Nelson Motta.
O maior diferencial da edição está nas parcerias inéditas anunciadas para o encerramento do festival, no domingo (9): Caetano Veloso convida Emicida para um show exclusivo, enquanto Paulinho da Viola recebe Maria Bethânia no sábado (8), dois encontros que resumem bem a proposta do festival de cruzar gerações e repertórios dentro de uma mesma noite.
A programação também aposta forte em celebrações de aniversário de álbuns: Os Paralamas do Sucesso tocam na íntegra Selvagem?, que completa 40 anos em 2026; Sandra Sá celebra as quatro décadas do disco que leva seu nome; Fresno marca os 10 anos de A Sinfonia de Tudo que Há ao lado da Nova Orquestra e Dibob comemora 25 anos de carreira com participações especiais.


Programação dividida por noites temáticas
A abertura, na sexta-feira (7), é dedicada à Noite Doce, com foco no rock e no emo brasileiros dos anos 1990 e 2000. Além de Fresno e Dibob, o Raimundos recebe Thiago Castanho e Marcão Britto, do Charlie Brown Jr..
O sábado (8) tem o já mencionado encontro entre Paulinho da Viola e Maria Bethânia, além de atrações como Chico Chico celebrando Belchior ao lado de Juliana Linhares; Leci Brandão & Rappin’ Hood e Cortejo Afro, que convida Luedji Luna e Margareth Menezes. A cantora Amanda Magalhães aproveita o festival para apresentar, em primeira mão, o show do novo álbum Vida de Rei, Vida de Cão.
O domingo (9) reúne, além dos encontros entre Caetano/Emicida e do show dos Paralamas, atrações como Falamansa convidando Ruan Vitor Vaqueirinho e Academia da Berlinda, celebrando uma década do disco Nada Sem Ela com Louise.
Curadoria que também é estratégia de marca
Para Luiz Guilherme Niemeyer, sócio da Bonus Track, produtora responsável pelo festival ao lado de Luiz Oscar Niemeyer, a quarta edição marca um ponto de virada na trajetória do Doce Maravilha:
O Doce Maravilha nasceu como uma celebração da música brasileira e, nesta quarta edição, dá um passo importante em sua trajetória ao expandir esse olhar para se afirmar também como uma festa da cultura brasileira. Essa evolução aparece na curadoria, com shows inéditos e especiais, sejam eles novos encontros entre artistas ou álbuns marcantes da carreira; nas ativações das marcas parceiras e patrocinadoras, e nas experiências para o público presente no festival. A cada ano, o Doce Maravilha apresenta projetos únicos, que só acontecem ali e ajudam a definir a identidade de cada edição. Nosso objetivo é que o festival continue crescendo com consistência, relevância e, mais do que isso, surpreendendo e enaltecendo a nossa música brasileira”.
A fala de Niemeyer deixa claro que a curadoria musical e a estratégia comercial do festival caminham juntas: os encontros exclusivos não são só atração de público, mas também o principal ativo de diferenciação do Doce Maravilha diante de outros festivais do calendário carioca e, consequentemente, o que sustenta a atração de patrocinadores como Bradesco e Corona, que apresentam o evento, além de marcas oficiais como Flying Fish, Guaraná Antarctica e Cantão.

Acessibilidade, sustentabilidade e ingresso solidário
Como nas edições anteriores, o festival mantém estrutura de acessibilidade, rampas, banheiros adaptados, intérpretes de Libras e espaços PCD com monitores, além de ações de gestão de resíduos e estímulo ao uso consciente de recursos.
O evento também mantém a modalidade de ingresso solidário, com parte da arrecadação destinada ao Instituto Vida Livre e ao Instituto da Criança, reforçando um posicionamento de responsabilidade social que já vem se tornando parte da identidade do festival e que também funciona como diferencial na negociação com marcas cada vez mais atentas a pautas de ESG.
Doce Maravilha, um festival diferente
Ao ampliar o discurso de “celebração da música brasileira” para “festa da cultura brasileira”, a Bonus Track sinaliza que pretende expandir o Doce Maravilha para além da lógica tradicional de festival.
Um problema que outros grandes eventos musicais do país já vêm enfrentando é tentar justificar o valor do ingresso frente a uma experiência cada vez mais ampla. Aqui, a aposta parece ser que, quanto mais exclusivo o encontro entre artistas, mais forte se torna o argumento comercial do festival junto ao público e aos patrocinadores.
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Nina Shimazumi

LR




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