CSN pode transferir cimenteira para controle chinês
Volta Redonda – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) está mais perto de transferir para um grupo chinês o controle de um dos seus principais negócios industriais. A companhia anunciou nesta sexta-feira (30) um acordo de exclusividade com a Huaxin Building Materials Group para negociar a venda de sua participação na CSN Cimentos Brasil, avaliada em R$ 12,7 bilhões. A negociação representa um dos movimentos mais importantes da reestruturação financeira da siderúrgica e pode ampliar a presença do capital chinês na indústria brasileira de materiais de construção.
O acordo concede à Huaxin um prazo de dez dias para negociar e buscar a assinatura dos contratos definitivos. Segundo comunicado oficial da CSN, a empresa chinesa apresentou a proposta mais vantajosa no processo competitivo iniciado em março deste ano.
A operação ainda não está concluída. O valor anunciado corresponde ao chamado enterprise value, que considera a avaliação do negócio, incluindo seu endividamento, e não representa necessariamente o dinheiro que será recebido pela CSN.
Dívida bilionária pressiona a CSN
A decisão de negociar a cimenteira está diretamente relacionada à situação financeira da CSN. A companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 com dívida líquida de aproximadamente R$ 42,1 bilhões e uma relação entre dívida e geração operacional de caixa de 3,49 vezes.
O processo ganhou força após a mudança no comando executivo da companhia. Em setembro, Benjamin Steinbruch deixou a presidência executiva, permanecendo à frente do conselho de administração. Fábio Schvartsman assumiu a função de presidente executivo com a missão de conduzir a reestruturação financeira.
A CSN também negocia a venda de outros ativos. Em outubro, anunciou um acordo para alienar sua operação siderúrgica na Alemanha, avaliada em 550 milhões de euros.
Chinesa supera concorrentes brasileiros
A disputa pela CSN Cimentos envolveu grupos nacionais e estrangeiros. Entre os interessados estavam a Votorantim Cimentos, em associação com a italiana Cementir, e a Polimix. As propostas concorrentes chegaram à faixa de R$ 11 bilhões, enquanto a CSN buscava inicialmente valores superiores. A oferta da Huaxin, que atribuiu R$ 12,7 bilhões à cimenteira, acabou escolhida para a etapa de negociação exclusiva.
Fundada em 1907 e sediada em Wuhan, na China, a Huaxin atua na fabricação de cimento, concreto, agregados e outros materiais de construção. A companhia possui operações internacionais e vem ampliando sua presença fora do mercado chinês.
O grupo já realizou investimentos no Brasil, incluindo a aquisição da empresa de agregados Embu, anunciada em 2024. A compra da CSN Cimentos representaria uma expansão significativa de suas atividades no país.
Negócio envolve uma das maiores cimenteiras do país
A CSN Cimentos ocupa a segunda posição no mercado brasileiro de cimento, atrás da Votorantim. A empresa possui capacidade instalada para produzir aproximadamente 16,3 milhões de toneladas por ano e participação estimada em 18% do mercado nacional.
A operação foi construída ao longo dos últimos anos por meio de investimentos e aquisições realizados pela CSN, incluindo ativos anteriormente pertencentes à suíça Holcim. A possível transferência desse patrimônio industrial para um grupo estrangeiro recoloca em discussão a crescente participação de investidores internacionais em setores importantes da economia brasileira.
No caso do cimento, trata-se de um segmento diretamente ligado à construção civil, às obras de infraestrutura, à geração de empregos e ao fornecimento de materiais para investimentos públicos e privados. A entrada de um novo controlador poderá trazer mudanças na estratégia de investimentos, na gestão das unidades e na posição competitiva da companhia. Entretanto, ainda não foram divulgados planos da Huaxin para as fábricas, os trabalhadores ou os fornecedores brasileiros.
Venda ainda depende de etapas
Mesmo com o acordo de exclusividade, a negociação não significa que a CSN Cimentos já tenha sido vendida. As empresas precisam concluir os documentos definitivos, estabelecer as condições da operação e cumprir as exigências regulatórias aplicáveis, incluindo a análise concorrencial pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Para a CSN, a operação representa a possibilidade de reduzir parte expressiva de suas obrigações financeiras. Para a Huaxin, significaria conquistar uma posição relevante no mercado brasileiro de cimento. O desfecho das negociações será acompanhado pelo mercado financeiro e pelo setor industrial, especialmente em Volta Redonda, onde a CSN mantém sua principal operação siderúrgica e exerce papel central na economia regional.
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Mayra Gomes

LR



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