Dia do Baixista: 10 baixistas que mudaram a história do Rock

Celebrado em 23 de junho, o Dia do Baixista nasceu de um gesto espontâneo da comunidade musical brasileira. A data coincide com a fundação do Fórum Contrabaixo BR, em 2008, e vem ganhando cada vez mais holofotes com o passar do tempo – afinal de contas, sem o baixo, o esqueleto de qualquer banda desmorona!
Apesar de tudo, é curioso que, via de regra, o baixista siga sendo o integrante menos celebrado das formações de bandas. Isso é especialmente verdade considerando que o instrumento ocupa um território insubstituível entre a bateria e a guitarra e, se você duvida disso, é só tentar imaginar faixas como “The Number of the Beast”, do Iron Maiden, ou “Around the World”, do Red Hot Chili Peppers, sem os baixos de Steve Harris e Flea!
De forma geral, a história do Rock está repleta de momentos em que um baixista redefiniu o que se esperava do instrumento. Ao longo dos anos, o instrumento foi se transformando, ganhando velocidade, distorção e técnicas que desenvolveram uma personalidade única para o instrumento dentro desse contexto.
No Brasil não foi diferente, e o baixo foi fundamental para a identidade de bandas como Charlie Brown Jr. e Os Paralamas do Sucesso tanto quanto fora do país com outros gigantes do Rock. Então, celebre essa data com a nossa lista de 10 baixistas que mudaram a história do gênero logo abaixo!
10 baixistas que mudaram a história do Rock
1. John Entwistle (The Who)
Antes de John Entwistle, o baixo era visto apenas como um coadjuvante na maioria das bandas de Rock, mesmo quando aparecia em destaque como em composições de Paul McCartney para os Beatles.
Entwistle inverteu essa lógica ao tratar as quatro cordas como um instrumento melódico de pleno direito, capaz de liderar frases tão complexas quanto as da guitarra. Faixas como “My Generation” e “The Real Me” foram pioneiras em colocar o baixo no primeiro plano e influenciaram toda uma geração, incluindo alguns dos nomes dessa lista.
2. John Paul Jones (Led Zeppelin)
O papel de John Paul Jones no Led Zeppelin costuma ser eclipsado pela mitologia em torno de Jimmy Page e Robert Plant, mas é difícil imaginar a banda sem a inteligência musical que Jones trazia para cada arranjo.
Multi-instrumentista completo, ele usava o baixo como ferramenta de composição, não apenas de acompanhamento. Em “The Lemon Song”, por exemplo, suas linhas improvisadas dialogam com o blues de Page em tempo real; em “Ramble On”, o baixo praticamente conduz a narrativa da faixa, eternizando JPJ como um ícone do instrumento.
3. Lemmy Kilmister (Motörhead)
Lemmy Kilmister nunca se considerou um baixista no sentido convencional, e talvez essa recusa tenha sido justamente o que o tornou único. Ele tocava com a brutalidade de um guitarrista, empurrando o som do Motörhead para uma zona única onde Rock, Metal e Punk se encontravam.
Lemmy pode não ter sido nem de longe o mais técnico e, para alguns, sua forma de tocar que fugia das convenções pode até ser tratada como prejudicial para o “purismo” do baixo; no entanto, é justamente essa mudança de atitude que o coloca em um lugar tão especial.
4. Steve Harris (Iron Maiden)
Se existe alguém que transformou o baixo em protagonista absoluto dentro do heavy metal, essa pessoa é Steve Harris.
Fundador, principal compositor e líder do Iron Maiden, Harris desenvolveu um estilo de tocar que se tornou a assinatura sonora da banda e influenciou gerações inteiras de músicos.
Faixas como “The Trooper” e “Aces High” são impossíveis de conceber sem as linhas de baixo de Harris, que também provou que um baixista pode ser o cérebro criativo de uma das maiores bandas da história.
5. Cliff Burton (Metallica)
A passagem de Cliff Burton pelo Metallica durou apenas três álbuns, mas foi suficiente para redefinir o que o baixo podia fazer dentro do Metal. Burton trouxe para o gênero uma formação musical que incluía teoria clássica e o Jazz, resultando em composições icônicas como “(Anesthesia) Pulling Teeth” e “Orion”, onde o baixo assume papel de protagonista.
Seu uso de pedais e distorção também expandiu a paleta de timbres do instrumento de uma forma que ninguém no Metal havia tentado até então, e a tristeza por sua perda tão cedo passa também pela vontade de imaginar tudo que ele poderia ter feito com mais tempo de vida. Uma perda inestimável!
6. Flea (Red Hot Chili Peppers)
Formado no Jazz e começando na música como trompetista, Flea foi responsável por trazer ao Rock influências que iam de Miles Davis a Parliament-Funkadelic, o que resultou em linhas de baixo que são, ao mesmo tempo, percussivas e melódicas.
Em “Give It Away”, “Around the World” e “Can’t Stop”, por exemplo, o baixo não acompanha a banda, mas sim a banda que orbita ao redor do baixo. Flea também mostrou que o Punk pode coexistir com o virtuosismo técnico através de sua energia nas performances ao vivo, celebradas até hoje pela intensidade do baixista.
7. Geddy Lee (Rush)
A técnica de Geddy Lee no baixo ajudou a definir o som do Rush ao longo de mais de quatro décadas, e faixas como “YYZ”, “Tom Sawyer” e “Xanadu” são estudos de caso sobre como o baixo pode ocupar espaços tradicionalmente reservados à guitarra sem que nenhum dos dois instrumentos perca território.
Além de tudo, Lee e seus companheiros foram responsáveis por levar um estilo de música mais técnico e complexo para o mainstream de forma bastante inesperada, e o baixo de Geddy foi um dos grandes motivos para isso ao trazer influências de todos os tipos para criar um som único.
8. Champignon (Charlie Brown Jr.)
Champignon foi um dos arquitetos do som que definiu o Rock brasileiro dos anos 1990 e 2000, já que trouxe para o Charlie Brown Jr. uma musicalidade que transitava com naturalidade entre Funk, Hardcore, Rap e Ska, sempre sustentada por linhas de baixo que misturavam groove e agressividade.
As diversas técnicas faziam com que o baixo de “Champs” ganhasse um protagonismo raro no Rock nacional, com músicas como “Como Tudo Deve Ser” e “Zóio de Lula” se tornando verdadeiras aulas para qualquer baixista.
9. Bi Ribeiro (Os Paralamas do Sucesso)
Ao lado dos Paralamas do Sucesso, Bi Ribeiro construiu linhas econômicas, precisas e imediatamente reconhecíveis, capazes de fazer três acordes soarem como um riff inesquecível, como acontece em “Meu Erro”.
Influenciado fortemente pela música jamaicana, Bi trouxe para o Rock brasileiro uma cadência que funde esses ritmos com a energia do power trio, numa alquimia ficou ainda mais embelezada graças à parceria com o baterista João Barone, com quem forma uma das seções rítmicas mais entrosadas da história do Rock nacional.
Além disso, composições suas como “A Novidade”, “Alagados” e “Melô do Marinheiro” estão entre os hinos definitivos da música brasileira.
10. Liminha
Liminha entrou para Os Mutantes em 1969, em plena efervescência tropicalista, e contribuiu com composições fundamentais do Rock nacional, sempre trazendo seu baixo como personagem principal.
Após sua saída, no entanto, Liminha se transformou em um arquiteto do Pop Rock nacional dos anos 1980 e 1990, dividindo as tarefas como produtor com sua função de baixista – ao mesmo tempo em que assinou álbuns como Selvagem?, dos Paralamas, foi responsável pela lendária linha de baixo de “Fullgás”, de Marina Lima.
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Felipe Ernani
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LR
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