H.FOA alerta para adiamento de consultas e cuidados com a saúde masculina
Sul Fluminense – Uma dificuldade para urinar que fica para depois. Uma mudança percebida no corpo que ainda “não incomoda tanto”. Anos sem uma consulta porque, aparentemente, está tudo bem. Entre perceber uma alteração e procurar atendimento, muitos homens ainda encontram motivos para adiar o cuidado com a própria saúde.
É justamente esse comportamento que o Hospital da Fundação Oswaldo Aranha (H.FOA) coloca em discussão durante o Novembro Azul. Mais do que concentrar a atenção exclusivamente no câncer de próstata, o período também abre espaço para discutir a relação dos homens com a prevenção, o acompanhamento médico e o reconhecimento de sinais que não devem ser ignorados.
Para o urologista do H.FOA, Edgard Scopacasa (CRM-RJ 5201121740), parte dessa resistência está relacionada à maneira como muitos homens aprenderam a lidar com o próprio adoecimento.
“Acho que ainda existe uma questão cultural muito forte, porque o homem, de maneira geral, foi acostumado a procurar ajuda só quando alguma coisa está errada. Muitos têm receio de descobrir alguma doença e demonstrar certa fraqueza. Outros priorizam trabalho, família e acabam deixando a própria saúde em segundo plano”, explica.
Essa percepção também aparece no consultório. Segundo Edgard, não é incomum receber pacientes que já conviviam com alguma alteração antes de decidir procurar atendimento.
“Vejo pacientes que poderiam ter procurado atendimento antes, mas chegam quando algum sintoma específico já está incomodando. O que sempre tento mostrar é que cuidar da saúde não deve ser uma atitude tomada apenas quando aparece um problema. Precisamos focar também na prevenção”, afirma.
O Novembro Azul é uma oportunidade para ampliar a discussão sobre a saúde integral da população masculina. Além do câncer de próstata, a atenção inclui questões como saúde mental, hipertensão, diabetes, infecções sexualmente transmissíveis, hábitos de vida e prevenção de violências e acidentes.
Sinais que merecem atenção
Algumas mudanças exigem avaliação médica, independentemente da campanha ou do mês do ano. Entre elas estão alterações urinárias, dores persistentes e mudanças relacionadas aos órgãos genitais ou à função sexual.
“Principalmente dificuldade para urinar, jato fraco, presença de sangue na urina ou necessidade de levantar várias vezes à noite. Também é importante prestar atenção em dores persistentes, alterações nos testículos e dificuldades na função sexual”, orienta Edgard.
No caso do câncer de próstata, esperar o aparecimento de sintomas pode não ser uma boa referência. A doença pode evoluir silenciosamente nas fases iniciais. Quando há manifestações, dificuldade para urinar, redução do jato urinário, aumento da frequência das idas ao banheiro e sangue na urina estão entre os sinais que precisam ser investigados.
Esses sintomas, no entanto, também podem estar relacionados a outras condições e não significam, isoladamente, a presença de câncer.
“Nem toda doença apresenta sintomas no início. O câncer de próstata, por exemplo, frequentemente é silencioso nas fases iniciais. Então, mais do que esperar algum sinal aparecer, precisamos estimular o homem a ter uma relação mais preventiva com a própria saúde”, destaca o urologista.
Para o triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no Brasil. Excluindo os tumores de pele não melanoma, a doença é a mais incidente entre os homens no país. No Sudeste, a estimativa é de 94,9 casos para cada 100 mil homens.
Consulta não significa necessariamente realizar exames
Outro fator que pode afastar alguns homens do consultório é associar automaticamente a ida ao urologista à realização do toque retal ou do exame de PSA, utilizado na avaliação da próstata.
Edgard explica que a consulta começa antes de qualquer decisão sobre exames.
“Ir ao urologista não significa necessariamente fazer toque retal ou sair do consultório com uma solicitação de PSA. A consulta começa com uma conversa, uma avaliação do histórico do paciente, dos antecedentes familiares, da idade, dos sintomas e dos fatores de risco”, afirma.
A partir dessas informações, médico e paciente podem discutir quais investigações fazem sentido para cada caso.
“O PSA e o toque retal são ferramentas que podem fazer parte dessa avaliação. A Medicina precisa ser individualizada. Não existe uma conduta única que sirva para todo mundo”, explica.
O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional do câncer de próstata, ou seja, a realização rotineira de exames em todos os homens sem sinais ou sintomas. Para aqueles que desejam realizar o rastreamento, a orientação é conversar com um profissional de saúde sobre os possíveis benefícios e riscos e tomar a decisão de forma compartilhada.
Já diante de sintomas ou alterações suspeitas, a investigação tem outra finalidade e pode envolver PSA, toque retal e outros exames definidos pelo médico.
H.FOA oferece condições facilitadas durante novembro
Como parte das ações do Novembro Azul, o H.FOA preparou condições facilitadas de atendimento ao longo de todo o mês para consultas eletivas e exames laboratoriais. A iniciativa busca estimular a população masculina a colocar os cuidados com a saúde em dia, buscar orientação e retomar acompanhamentos que vinham sendo adiados.
Para Edgard, essa conversa também ajuda a romper a ideia de que procurar atendimento significa necessariamente descobrir uma doença.
“Não sentir nada é ótimo, mas não significa necessariamente que está tudo bem. Na minha rotina, inclusive como cirurgião, acompanho pacientes que receberam diagnósticos importantes sem nunca terem apresentado um sintoma sequer”, relata.
Segundo o médico, o momento em que uma doença é identificada pode modificar as possibilidades de condução do caso.
“Existe uma diferença muito grande entre identificar uma doença no início e descobri-la quando já está avançada. Muitas vezes, isso muda completamente as possibilidades de tratamento. E ouvimos pacientes dizerem: ‘Poxa vida, por que eu não vi isso antes?’.”
É justamente essa pergunta que o Novembro Azul tenta fazer chegar antes: antes de o incômodo se tornar intenso, de um sintoma ser normalizado durante meses e de o cuidado só encontrar espaço quando alguma coisa já está errada.
“Minha orientação é simples: não espere seu corpo dar um sinal de que alguma coisa está errada para começar a cuidar dele. A prevenção também é uma forma de responsabilidade com você e com as pessoas que estão ao seu lado”, conclui Edgard.
Agendamento
As consultas com especialistas e os exames laboratoriais no H.FOA podem ser agendados pela Central de Atendimento:
- Telefone/WhatsApp: (24) 99999-6461
- Endereço: Rua Doutor Miguel Couto, 70, Jardim Amália I, Volta Redonda (RJ), CEP 27251-260.
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Mayra Gomes
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