“Me sinto vencendo”: Diego Martins dá detalhes sobre novo trabalho ao lado de POCAH e Mc Gw (ENTREVISTA)

Presente em “Coração Acelerado”, primeira drag queen do catálogo da Universal Music Brasil e lançando um novo clipe ao lado de POCAH e Mc Gw, Diego Martins vive o auge de seu sucesso. Com “TATUAGEM (Toma Lapada)”, o artista vai de contramão ao seu primeiro álbum, “TANTO”, e traz ao público uma versão mais descontraída e, em suas próprias palavras, mais “solar” de seu pop.

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Foto: Valdinei Souza (@vxldinei)

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Em entrevista ao POPline, o artista deu alguns detalhes de seu novo lançamento e afirmou: “Essa nova música marca esse momento pós-álbum”. Confira!

Qual foi a situação mais engraçada ou o maior perrengue de gravar uma festa de verdade no meio da rua com tanta gente?

“No nosso caso, a situação que a gente estava encarando ali era um frio de 10 graus. Dez, onze graus em São Paulo, numa noite fria da cidade. Todo mundo fingindo que estava com calor, né? A música está falando ali ‘tá com calor’, ‘eu tô também’. É uma música quente, é uma música de verão. 

Estava um super frio. Todo mundo vestido de regata, de chinelo, shortinho, sainha, bermuda. Eu estava só com um corset e uma sainha bem pequena. A Pocah também estava com um topzinho. Então o único que se deu bem ali foi o GW, porque ele estava com uma blusona amarela, grandona. O resto estava todo mundo mais do que pelado. Quando estava gravando, era todo mundo: ‘Êêê, que calor, que delícia!’. Quando falavam ‘corta’, todo mundo corria para dentro do galpão para se abrigar e colocar uma blusa.”

Como foi equilibrar a sua identidade com o funk pesado do GW e o pop da Pocah no estúdio? 

“De batida não rolou nenhuma mudança, até porque é uma batida com a qual eu me sinto muito representado também. Por mais que eu venha muito de uma linguagem pop, o funk sempre esteve presente na minha vida desde criança, na verdade, e está sempre presente nas minhas playlists também. Então é algo que eu consumo muito e que eu uso muito como referência para as minhas músicas.

Se você ouvir minhas músicas antes do álbum, como ‘Bota’, que foi uma das primeiras, ou ‘Te Esquecer’, enfim, tem muito funk presente na minha música desde sempre. E essa não podia ser diferente. Então eu me senti muito equilibrado, na verdade. Eu acho que trouxe, nos vocais, nas melodias dessa música e nas aberturas de voz, o pop para dentro desse funk.

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Foto: Valdinei Souza (@vxldinei)

E rolou uma mudança de letra interessante, que eu gosto muito. Quando a Pocah canta ‘é desse jeito que a Pocahontas gosta’, a gente que trocou essa parte. A letra era outra coisa. E ali, ouvindo ela cantar, eu olhei e falei: ‘Vem cá, faz tempo que você não usa ‘Pocahontas’, né?’. E ela disse: ‘É, faz tempo’. E eu falei: ‘Você se incomoda de colocar desse jeito, ‘que a Pocahontas gosta’?’. E ela amou.’

O refrão de “TATUAGEM (Toma Lapada)” nasceu de uma brincadeira com uma performance icônica. Que performance foi essa e como uma piada interna virou a identidade da sua música mais ambiciosa?

“O pessoal que compôs essa música foi a um show das Tequileiras, onde tinha um passo super icônico, que a gente inclusive colocou na nossa coreografia com o Flávio Verne e com a Amanda Araújo. É aquele bate-bunda, sabe? Geralmente, as meninas encaixam as pernas nos ombros dos rapazes e, com a força das pernas, puxam o rosto dos homens para o meio da bunda delas.

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É um passo bem icônico, não só do brega funk, mas que muita gente conhece porque ele é engraçado, icônico ao mesmo tempo e muito divertido. Foi daí que veio, inclusive, a frase: ‘Eu vou fazer uma tatuagem da minha bunda na sua cara’. Veio dessa imagem, desse passo. E aí não podia faltar esse passo na música, né? A gente colocou ele na nossa coreografia.”

A mudança de “TANTO”, seu álbum de estreia, para “TATUAGEM” foi uma resposta ao que você sentia falta de ouvir nas pistas ou um desejo pessoal de mostrar um Diego mais descompromissado? 

“Essa nova música marca uma virada de chave para mim. Marca uma nova era na minha carreira musical. De fato, o meu último álbum vinha de um lugar muito R&B e pop, mas numa pegada um pouco mais melancólica. Eu estava falando de amor, de uma vertente muito profunda do amor. Estava falando de um amor que às vezes não era correspondido. Estava falando de sofrer por amor, de abandono, de ir embora.

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Foto: Valdinei Souza (@vxldinei)

E, no final do álbum, a gente termina de uma maneira muito solar. A última música do álbum ‘Tanto’, chamada ‘Tanto Tudo’, é uma música em que a gente entende que está tudo certo com a gente mesmo e que o nosso amor-próprio deve vir antes de tudo.

Então eu acho que essa nova música marca esse momento pós-álbum. É como se a gente tivesse entendido, ao longo daquele trabalho, que a gente é muito, que a gente é demais, que vale a pena, que o nosso amor é caro, que nós somos pessoas caras.

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Foto: Valdinei Souza (@vxldinei)

Não é qualquer coisa que vai conquistar a gente. A gente merece mais. A gente merece muito. Todo mundo merece muito. Então a gente aprende a se valorizar ali. E, com ‘TATUAGEM’, a gente marca essa nova era, que é solar, em que está tudo bem com a gente. Está tudo bem querer dançar, se sentir bem no próprio corpo, se sentir bem no sexo, se sentir amado, potente, sexy. Eu acho que é um pouco dessa era que a gente está vivendo. É um pop leve, gostoso e solar. Solar é a palavra.”

Primeira drag queen no catálogo da Universal Music Brasil, lançando clipe e na novela das nove: como você analisa suas conquistas sendo um artista multifacetado na prática? 

“São conquistas das quais eu me orgulho muito. São conquistas que eu não fiquei sentado esperando acontecer. São coisas que eu fui atrás, pelas quais tenho batalhado muito para acontecer. Não só na minha carreira como ator, mas também na minha carreira como músico e como drag queen.

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A gravadora veio em um momento lindo. A nossa equipe foi muito atrás, trabalhou muito para fazer acontecer, e a gente continua trabalhando porque as coisas não são fáceis. Não é fácil fazer música no Brasil. Não é fácil fazer pop no Brasil. E não é fácil ser uma drag queen no cenário musical brasileiro. Os espaços são limitados. Então cada conquista, cada espacinho que eu conquisto, cada entrada que eu alcanço, é uma vitória. E eu me sinto vencendo.”

 

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Leonardo Nascimento

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