Melly deixa a intuição guiar seu caminho em “MAIS FORTE QUE A DÚVIDA”

Álbum guia cantora baiana para o projeto mais honesto da carreira | Créditos: Vitor Cipriano

Se há alguém que possui uma tenacidade MAIS FORTE QUE A DÚVIDA, essa é a cantora Melly. Dona dos hits “Cacau” e “Azul”, desde a infância ela esteve rodeada de músicos devido a Tito Araújo, que a apresentou ao universo do samba-reggae com bandas que tocavam em sua residência em Salvador, na Bahia.

E foi ali, tocando uma flauta desconectada dos aparelhos, que a baiana acendeu a primeira chama para a música. Daquele momento em diante, as suas influências – e bote referências nisso! – em soul e R&B enraizadas por Amy Winehouse junto com pagodão e ijexá formaram o seu caráter e personalidade irreverente na música brasileira.

Após 5 anos do amado EP Azul e 2 anos do divisor de águas Amaríssima, a compositora se recusa a não ouvir a “VOZ DO CORAÇÃO” e entrega MAIS FORTE QUE A DÚVIDA como o disco mais honesto de sua carreira, trazendo a intuição como guia desde a composição até no som que ecoa dos variados gêneros e de suas cordas vocais.

É nessa grande jornada que a cantora conversou com o Tenho Mais Discos Que Amigos! sobre o seu mais recente álbum, antigas e novas parcerias e, principalmente, a força que a conduz durante toda a sua trajetória.

Quando a intuição vira música

Créditos: Vitor Cipriano

Nos seus discos, a artista consegue fazer fluir os assuntos de maneira natural com a própria maneira de entender a realidade ao seu redor, sendo a música o seu olhar diante à própria vivência transcrita nas composições feitas por ela.

Em Amaríssima, esse processo é resultado de uma epifania sobretudo do amadurecimento de uma mulher negra, bissexual e em um relacionamento lésbico. O mesmo acontece em seu novo projeto, mas em uma circunstância particular envolvendo a cor lilás. 

Esse caminho começou a ser desenhado quando eu usei lilás no ano novo e, aparentemente, configura tradição da espiritualidade. Acabou que 2025 para 2026 virou um ano completamente focado para esse tipo de consciência coletiva para mim”. 

A partir disso, ela inicia um novo caminho. Desta vez, ao invés da construção interna do reconhecimento de sua música, personalidade e escrita, a soteropolitana compartilha o seu saber, falando sobre situações que não apenas afligem a ela, mas também a uma comunidade de pessoas.

Essa falta de personalidade, de alma, das milhões de possibilidades e escolhas que a gente tem na nossa frente nesse mundo conectado, isso acaba se perdendo. Se a gente tem muita oferta e pouca ciência de si, a gente acaba fazendo escolhas erradas, como eu já fiz”.

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A musicista conta que, em muitas ocasiões, deixou pressões externas interferirem em suas canções e pensamentos. Porém, em dado momento, a intuição era a única certeza que possuía.

Para ela, o ato de acreditar em si é a mensagem deste projeto, sendo a confiança o norte para tudo, uma fonte inesquecível de inspiração e força. “Então, eu imaginava as pessoas escutando isso e também se tornando fortes e auto-conscientes”, conta.

Ao todo, 70 músicas foram escritas para o LP, sendo 20 consideradas na curadoria e, dentre estas, 14 foram para o produto final. De acordo com a cantora, a escolha das faixas foi muito fluida e ela escutava essencialmente o que fazia sentido para ela. 

Eu não tinha como fazer algo premeditado ou algo pensando exclusivamente ou especificamente em mercado ou comportamento. Eu só fiz de verdade o que eu estava sentindo ali e por isso o disco acabou sendo tão eclético”.

As letras arriscam a versar sobre contemplação, reflexão e existencialismo, sendo transportadas para um ambiente de experimentação que faz parte de sua essência. 

Ritmos caribenhos e latinos e gêneros como MPB, pop, jazz e até brega estão presentes no álbum de maneira homogênea, criando uma narrativa carregada de singularidade e borogodó – o tal molho baiano. 

Eu acho que isso é interessante, porque eu faço uma pesquisa muito extensa. É legal quando a gente acaba utilizando da nossa riqueza cultural brasileira, nordestina e afrodiaspórica”.

As vozes que caminham com Melly 

Créditos: Vitor Cipriano

Além de ser uma jornada revigorante, MAIS FORTE QUE A DÚVIDA também abre alas para novas parcerias e a renovação de votos para colaborações anteriores. Este é o caso de Liniker, com quem possui um grande laço. 

Desde covers de “Caeu” em apresentações noturnas até as canções “10 Minutos” e “PAPO DE EDREDOM”, a dupla dinâmica construiu um dos laços sociais e profissionais mais primorosos na cena brasileira.

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Segundo a soteropolitana, trabalhar com Lili é admirável, pois ela se permite ser sensível. Ela relata que, quando estão compondo juntas, a paulistana faz com que as palavras desaguem, sem se perguntar o que será dito na próxima frase.

Liniker é, de fato, um instrumento, entre alguma coisa extra e o papel. É uma arte muito bonita de observar. Sempre que eu componho com ela, eu volto a minha atenção para essa naturalidade que ela tem e me inspiro por isso”. 

Já a sua relação com Anitta veio mais recentemente, quando a carioca colaborou em “ELA GOSTA DE MENINA” e em “Ternura”, composição da baiana para EQUILIBRIVM

Contudo, mesmo que a amizade tenha começado há pouco tempo, ela destaca que Larissa demonstrou a sua humanidade e sensibilidade, dando conselhos de comportamento artístico, organização de vida, carreira e mercadológico.

Ela sempre foi movimentadora social mesmo, né? O funk já estava acontecendo naquele momento, mas ela se tornou uma porta-voz importante do corpo feminino, da marginalização que acontece quando as músicas são consideradas urbanas ou periféricas. Acho muito bonito esse movimento”.

O disco para além do som

Créditos: Vitor Cipriano

Um dos pontos principais da discografia de Melly são os curtas feitos para os dois discos. As produções colocam a letrista fisicamente diante da sua narrativa que, neste instante, pode ser contemplada pelos ouvintes em uma nova perspectiva.

No novo projeto, gravado em Ubatuba, interior de São Paulo, o roteiro consegue unir os universos de cada faixa. A cantora conta que o diretor Gabriel Augusto contribuiu para que as ideias saíssem da imaginação e seguissem para o plano físico, pois nunca foi uma pessoa que esteve na cinematografia.

Gabriel foi uma pessoa crucial no processo, porque ele pegou exatamente o que eu queria falar, que era a alma. Ele trouxe esse erêzinho, essa personificação da inocência, entidade que controla os nossos sentidos extra-corpóreas e extraracionais”.

A cantora também conta que ele trouxe uma estética textural e uma ótima fotografia, unindo elementos pensando em grupo e outras coisas idealizadas por ela.

Eu trouxe algumas ideias, como a mulher na cachoeira vinha de uma memória minha de infância, mas grande parte, a maioria, foi ideia da equipe de Gabriel”. 

O resultado está disponível no YouTube no canal oficial da musicista.

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De Salvador para o Rock in Rio 

Apesar de ter passado em Lisboa, a compositora vai embarcar em uma grande aventura na terra do Cristo Redentor, o Rock In Rio

A artista vai se apresentar na segunda-feira, 7 de setembro, no palco Supernova. Ao falar sobre o tema, ela enalteceu trabalhos como o de Carlinhos Brown, que fez história no evento.

Eu sempre escutei e foi uma das referências que passaram por esse palco e, agora, vou estar pisando nele pela primeira vez. Eu espero que depois a gente vá para os outros palcos também explorar as outras nuances”.

Com direção musical de Castilho, a estreia da performance não vai contar com surpresas, mas por um bom motivo. As participações especiais serão vistas no especial do LP, que será feito em Salvador e terá 1h30 de duração. 

Mas já é um bom início e eu tô muito animada para isso. Muito animada”.

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Lu Melo

Melly deixa a intuição guiar seu caminho em “MAIS FORTE QUE A DÚVIDA”


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