Na ação contra Castro, um celular e um tablet foram apreendidos


A Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do ex-governador Cláudio Castro, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste, na manhã desta sexta-feira (15). A ação mira atuação do Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para esconder bens e movimentar recursos ao exterior.

Os agentes estiveram armados na porta do condomínio com carros descaracterizados. Segundo o advogado de Castro, Carlo Luchione, o ex-governador foi surpreendido pelas buscas, mas colaborou com os agentes. Na residência, um celular e um tablet foram apreendidos.

“Ele recebeu os policiais e as buscas ocorreram sem qualquer contratempo e anormalidade. Ele colaborou com os policiais, eles saíram e agora estamos buscando a decisão para entender melhor o que aconteceu”, afirmou o advogado.

Ainda na ação, os policiais apreenderam mais de R$ 500 mil na casa do policial Civil Maxwell Moraes Fernandes, também investigado no esquema. O dinheiro estava armazenado em caixas de sapato, uma delas continha a seguinte inscrição: “O que é bom a gente guarda”.

Procurada, a Polícia Civil informou que está colaborando com a operação. “A instituição reforça que mantém permanente cooperação com os órgãos de investigação e segurança pública, atuando de forma integrada. O caso é acompanhado pela Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL)”, disse em comunicado

Ao longo da manhã, os agentes ainda cumpriram mandados de busca e apreensão na Refit. Contra o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria, foi expedido um mandado de prisão preventiva e solicitada sua inclusão na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

Outros investigados são o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad. Pasqual e Saad foram exonerados no final de abril pelo governador interino do Estado, o desembargador Ricardo Couto. Já Vianna está afastado desde março por suspeita de conceder decisões favoráveis à Refit no processo de recuperação judicial.

Segundo a PF, as investigações apuram possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo. Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio, São Paulo e Distrito Federal, por determinação do Supremo Tribunal Federal.

Também foi determinado o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros, além da suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.

A investigação faz parte das apurações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da ADPF 635/RJ, relacionada a atuação de organizações criminosas e possíveis ligações com agentes públicos no Rio. A medida conta com apoio técnico da Receita Federal.

Suspeita de fraude na Refit

A Refit, um dos maiores grupos empresariais do país no setor de combustíveis, foi alvo de uma megaoperação em novembro do ano passado por participação em um esquema de fraude fiscal. Na ocasião, os alvos eram suspeitos de integrarem uma organização criminosa e de praticarem crimes contra a ordem econômica e tributária e lavagem de dinheiro.
Segundo o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a empresa deve cerca de R$ 26 bilhões aos cofres públicos do Brasil e é o segundo maior devedor de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) do Rio, com débitos de R$ 10 bilhões. A dívida da companhia corresponde a todo o orçamento que o estado tem para financiar as polícias Civil e Militar fluminenses.

As investigações apontaram ainda que a Refit movimentou mais de R$ 70 bilhões em um ano, por meio de empresas próprias, mais de 50 fundos de investimento e 15 offshores nos Estados Unidos para ocultar e blindar lucros. O Cira-SP frisou que diversas empresas ligadas ao grupo se colocam como laranjas para afastar a responsabilidade pelo recolhimento de ICMS.

Defesa de Castro nega acusações

Em nota, a defesa do ex-governador afirmou que foi surpreendida com a operação e que ainda não tomou conhecimento do objeto do pedido de busca e apreensão. No entanto, reforça que Castro está a disposição da Justiça para dar todas as explicações “convicto de sua lisura”.

“Todos os procedimentos praticados durante a sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente, inclusive aqueles relacionados à política de incentivos fiscais do Estado, que seguem normas próprias, análises técnicas e deliberação dos órgãos competentes.

É de suma importância destacar que a gestão Cláudio Castro foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado, o que reforça a postura isenta e institucional do ex-governador. No total, gestão conseguiu garantir o pagamento de parcelas cujo o montante se aproxima de R$ 1 bilhão.

Atualmente, o parcelamento se encontra suspenso por força de decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em agravo de instrumento.

Ao longo da gestão, a PGE (Procuradoria Geral do Estado) ingressou com inúmeras ações contra a Refit, o que demonstra que a Procuradoria sempre atuou para que a empresa pagasse o que deve ao Estado”, disse em comunicado.

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André Aquino

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