Rio tem terceiro maior número de casos estimados de câncer de próstata
Foto: Arquivo
Rio de Janeiro – O estado do Rio de Janeiro tem a terceira maior estimativa de novos casos de câncer de próstata no país em 2026, com 9.090 ocorrências previstas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). O estado fica atrás apenas de São Paulo, com 19.590 casos, e Minas Gerais, com 10.290.
Em todo o Brasil, a estimativa é de 77.920 novos casos neste ano. Na sequência do ranking aparecem Bahia, com 6.540, e Paraná, com 3.370. Os números são projeções, e não registros de diagnósticos já confirmados. A classificação considera a quantidade absoluta de casos estimados, sem levar em conta a proporção em relação à população de cada estado.
Para ampliar a informação e incentivar os homens a procurar os serviços de saúde, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) lança, no dia 10 de novembro, a campanha Novembro Azul. A iniciativa prevê a distribuição de materiais informativos e a divulgação de vídeos educativos.
A mobilização pretende chamar a atenção para o cuidado integral com a saúde masculina, incluindo alimentação, sono, condições metabólicas, doenças cardiovasculares e saúde mental e social.
“O Novembro Azul abre uma porta para que o homem olhe para a própria saúde de forma mais ampla. A consulta pode ser uma oportunidade para identificar outras necessidades e iniciar um acompanhamento. Queremos que esse cuidado continue durante todo o ano”, explica o urologista do Departamento Médico da Alerj, Samy Chitayat.
Sinais que merecem atenção
Na fase inicial, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas. Entre os sinais que precisam ser investigados estão dificuldade para urinar, diminuição da força do jato urinário, necessidade de ir ao banheiro com maior frequência durante o dia ou à noite e presença de sangue na urina.
Essas alterações também podem estar relacionadas a condições benignas, mas devem ser avaliadas por um profissional de saúde para identificar a causa.
A idade é um dos principais fatores de risco, com aumento da incidência e da mortalidade após os 60 anos. Homens negros e aqueles com histórico da doença em parentes de primeiro grau, especialmente pai ou irmão diagnosticado antes dos 60 anos, também apresentam maior risco. O excesso de gordura corporal está associado a uma probabilidade maior de desenvolver câncer de próstata avançado.
Prevenção e exames
Não existe uma medida capaz de garantir que o câncer de próstata será evitado. Manter o peso adequado, praticar atividades físicas, adotar uma alimentação saudável e não fumar são cuidados recomendados para proteger a saúde. Atenção ao sono e ao estresse também faz parte do bem-estar.
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) orienta que os homens procurem avaliação médica individualizada a partir dos 50 anos. Para aqueles que apresentam fatores de risco, como histórico familiar, obesidade ou pertencimento à população negra, a recomendação é buscar orientação a partir dos 45 anos.
A decisão sobre a realização de exames deve considerar os possíveis benefícios e riscos para cada paciente. O Inca não recomenda o rastreamento rotineiro de homens sem sinais ou sintomas, devido aos possíveis danos, como a identificação e o tratamento de tumores que poderiam não representar ameaça à vida.
Os exames não impedem o surgimento da doença. Por isso, quem considera realizá-los deve receber orientação médica sobre os benefícios e os riscos. Já os sintomas suspeitos precisam ser investigados.
Diagnóstico muda rotina de pacientes e familiares
A experiência de quem enfrenta a doença mostra como o diagnóstico pode alterar prioridades e hábitos. Para o bancário Armando Gonçalves, de 65 anos, a descoberta do câncer mudou a relação com a própria saúde.
“Eu sempre tinha alguma coisa para resolver e acabava deixando a minha saúde por último. Depois do diagnóstico, minhas prioridades mudaram. O apoio da minha família tem feito muita diferença. Hoje, digo aos meus amigos: encontrem tempo para cuidar de vocês também”, conta.
O impacto também alcança os familiares, que passam a acompanhar consultas, exames e etapas do tratamento. A administradora Manoela Maria Gonçalves relata as mudanças na rotina após o diagnóstico do marido.
“Quando meu marido recebeu o diagnóstico de câncer, senti medo do que viria. Como seria dali para frente? A doença é dele, mas a família inteira sente. A gente quer acolher, ajudar, dar segurança e mostrar que ele não está sozinho, mesmo quando também está assustada. O que antes podia esperar passou a ter urgência, e estar ao lado dele se tornou nossa prioridade”, afirma.
O tratamento varia de acordo com a extensão da doença e as condições de saúde de cada paciente. A avaliação individual orienta a escolha das terapias e os cuidados para preservar a qualidade de vida.
“Em alguns casos de baixo risco, podemos acompanhar a doença com vigilância ativa; em outros, são indicadas cirurgias, radioterapia ou medicamentos. Durante esse percurso, precisamos avaliar a resposta ao tratamento, controlar a dor e outros sintomas e acompanhar os efeitos colaterais. Preservar a autonomia e a qualidade de vida faz parte do tratamento”, explica o oncologista Alemar Salomão.
Leis estaduais apoiam o cuidado
A legislação fluminense prevê medidas voltadas à conscientização, à realização de exames e ao tratamento do câncer de próstata.
A Lei 6.055/11 instituiu a Campanha de Conscientização sobre o Câncer de Próstata no estado. Já a Lei 5.245/08, posteriormente ampliada, permite a ausência remunerada de servidores estaduais para a realização comprovada de exames oncológicos, incluindo os de próstata. A norma também prevê campanhas educativas nas repartições públicas e iniciativas para facilitar o acesso gratuito aos exames.
Outra medida é a Lei 5.957/11, que assegura às pessoas com hiperplasia benigna ou câncer de próstata acesso gratuito à medicação prescrita para o tratamento. A legislação autoriza os órgãos estaduais de saúde a promover a padronização desses medicamentos.
Onde buscar orientação e atendimento
A Unidade Básica de Saúde (UBS) ou a Clínica da Família de referência do endereço do paciente é a porta de entrada para a avaliação. A equipe de saúde analisa sintomas e histórico clínico e, quando necessário, solicita exames ou encaminha o paciente para atendimento especializado.
Durante a consulta, é importante informar alterações urinárias e casos de câncer de próstata na família. Exames como PSA e toque retal podem fazer parte da investigação, mas resultados alterados, isoladamente, não confirmam a presença da doença. A indicação dos procedimentos e os próximos passos dependem da avaliação profissional.
O Instituto Nacional de Câncer oferece tratamento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mediante encaminhamento pela rede de saúde e conforme os critérios de atendimento da instituição. O Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), também oferece atendimento para câncer de próstata pelo SUS. O acesso ocorre por encaminhamento pelos sistemas de regulação, após avaliação na rede de saúde.
A campanha Novembro Azul busca ampliar a conscientização sobre a saúde masculina e estimular que o cuidado não fique restrito ao mês de novembro. A iniciativa também chama a atenção para a importância de garantir informação, acesso aos serviços de saúde e continuidade do acompanhamento, da investigação ao tratamento.
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luciano junior
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