TCU alerta para uso indevido de benefĂcios sociais em plataformas de apostas
Foto: Roberta Aline / MDS
PaĂs – O Tribunal de Contas da UniĂŁo (TCU) realizou estudo para verificar se famĂlias que recebem o Bolsa FamĂlia estĂŁo usando parte do dinheiro do benefĂcio para fazer apostas on-line.Análise tambĂ©m busca entender o que está sendo feito para evitar que isso prejudique os objetivos do programa.
O tema Ă© importante porque as apostas on-line, conhecidas como bets, tĂŞm crescido muito no Brasil e se tornaram acessĂveis para milhões de pessoas diretamente por meio do celular, funcionando como um “cassino no bolso”. Isso tem aumentado as dĂvidas das famĂlias, afetando a saĂşde e a estabilidade social, especialmente entre os mais pobres.
O levantamento do TCU analisou os dados de transferĂŞncias feitas por beneficiários do Bolsa FamĂlia em todo o Brasil, focando no quanto de dinheiro foi gasto e nos riscos para a segurança financeira dessas famĂlias. Foram analisados dados do MinistĂ©rio do Desenvolvimento Social (MDS), do MinistĂ©rio da Fazenda (MF) e do Banco Central (Bacen). No entanto, o estudo se baseou em dados de apenas um mĂŞs, o que significa que ele nĂŁo consegue mostrar tendĂŞncias ou padrões ao longo do tempo.
Os resultados mostraram que o valor gasto em apostas on-line por beneficiários do Bolsa FamĂlia Ă© muito alto. Em janeiro de 2025, essas famĂlias transferiram cerca de R$ 3,7 bilhões para empresas de apostas, o que representa 27% do total pago pelo programa naquele mĂŞs.
No decorrer do estudo feito pelo Tribunal, o MinistĂ©rio da Fazenda emitiu a Instrução Normativa SPA/MF 22, em setembro de 2025. Essa norma exige que as empresas de apostas verifiquem se os usuários sĂŁo beneficiários do Bolsa FamĂlia ou do BenefĂcio de Prestação Continuada (BPC). Se forem, as empresas devem impedir que essas pessoas se cadastrem, encerrar contas já existentes e devolver o dinheiro que estiver nelas. Para garantir isso, as empresas precisam consultar o CPF dos usuários ao criar contas, no primeiro login do dia e a cada 15 dias. A medida foi tomada para proteger as famĂlias mais vulneráveis e atender decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e do prĂłprio TCU.
O Tribunal tambĂ©m analisou um segundo processo, uma representação do MinistĂ©rio PĂşblico junto ao TCU, a respeito da utilização, pelos beneficiários, de recursos recebidos do Programa Bolsa FamĂlia nessas apostas.
Como resultado da análise, o TCU determinou ao MinistĂ©rio do Desenvolvimento e AssistĂŞncia Social, FamĂlia e Combate Ă Fome e ao Banco Central do Brasil que, dentro de 90 dias, elaborem e encaminhem plano de ação para identificar e reduzir as causas de inclusões indevidas no Programa Bolsa FamĂlia, tendo como indĂcio movimentações bancárias que ultrapassem, de maneira excessiva, os valores de renda declarada. Os ĂłrgĂŁos tambĂ©m devem apurar e tratar os casos de utilização indevida de CPFs de beneficiários do Programa Bolsa FamĂlia por terceiros para fins ilĂcitos, especialmente quando associados Ă realização de apostas.
O relator do processo Ă© o ministro Jhonatan de Jesus.
SERVIÇO
Leia a Ăntegra das decisões: AcĂłrdĂŁo 2528/2025 – Plenário e AcĂłrdĂŁo 2529/2025 – Plenário
Processos: TC 023.126/2024-8 e TC 024.146/2024-2
SessĂŁo: 29/10/2025
Secom – SG/pc
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alice couto
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