Venda de CDs tem alta de quase 60% e surpreende mercado fonográfico dos EUA

CD Player, CDs
Foto de CD Player via Shutterstock

Durante anos, o CD parecia condenado a ocupar um lugar cada vez mais distante na indústria da música. Substituído pelo MP3 e, mais tarde, pelo streaming, o formato passou a ser associado a uma era anterior do consumo musical, sobrevivendo sobretudo entre colecionadores e fãs mais nostálgicos.

Entretanto, os números mais recentes do mercado americano indicam que a história pode tomar outro rumo. Segundo a Consequence, a receita gerada pelos CDs nos Estados Unidos cresceu 58,6% no primeiro semestre de 2026, alcançando R$872,3 milhões, segundo o relatório semestral da Recording Industry Association of America (RIAA). No mesmo período de 2025, o formato havia movimentado cerca de R$549,6 milhões.

O avanço foi o maior, em termos percentuais, entre todas as categorias de música gravada destacadas pela entidade. O resultado chama atenção principalmente quando comparado ao desempenho do vinil, que há anos lidera a retomada dos formatos físicos.

Entre janeiro e junho, os discos de vinil geraram R$2,8 bilhões em receita nos EUA, mais de três vezes o valor dos CDs. Ainda assim, o crescimento do formato em relação ao período anterior foi bem mais modesto: 17,7%.

No conjunto, a receita da música física aumentou 25,9% no primeiro semestre. Os dados da RIAA reforçam uma tendência que já havia aparecido em outro levantamento recente: a Luminate, empresa que acompanha o comportamento do mercado musical e as vendas ao consumidor, registrou crescimento de 16% nas vendas de CDs nos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, sendo comercializadas 16,3 milhões de unidades. Enquanto isso, as vendas de vinil avançaram apenas 2,4%.

A diferença entre os indicadores é importante. Enquanto a Luminate acompanha as vendas realizadas diretamente ao consumidor, o levantamento da RIAA mede a receita de atacado da indústria, já descontadas as devoluções.

K-Pop ajudou, mas não é o único fator para aumentar o interesse por CDs no território americano

Parte do movimento pode ser explicada pelo K-Pop. O gênero ajudou a impulsionar o mercado de CDs graças ao modelo de lançamento baseado em produtos físicos altamente colecionáveis, com diferentes versões de um mesmo álbum, embalagens elaboradas, encartes, photobooks e itens exclusivos.

Porém, o fenômeno não se resume ao gênero. Segundo a Luminate, mesmo quando os lançamentos do K-Pop são retirados da conta, as vendas de CDs ainda registraram crescimento de 6,7%, o que sugere que existe uma demanda mais ampla pelo formato, mesmo que em escala muito menor do que aquela observada durante o auge dos CDs.

A retomada dos formatos físicos acontece, no entanto, dentro de um mercado que segue amplamente dominado pelo streaming. A indústria de música gravada dos Estados Unidos gerou R$30,6 bilhões em receita no primeiro semestre de 2026. Desse total, R$24,9 bilhões vieram do streaming, aproximadamente 82% de toda a receita do período.

As assinaturas pagas continuam sendo um dos principais motores desse mercado. A receita dessa modalidade cresceu 7,8%, chegando a R$15,8 bilhões, enquanto o número de assinaturas alcançou 111,1 milhões.

Na direção oposta estão os downloads digitais, que seguem em trajetória de queda. A receita total com downloads recuou 12,7% no primeiro semestre, enquanto a receita proveniente especificamente do download de músicas individuais caiu 13,7%.

Será que o formato físico vai seguir ganhando espaço daqui pra frente?

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Gabriel von Borell

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